A GENTE ENCONTRA - QUE TAL ALGO NOVO? HEIN? HEIN?HEIN?


Somente os extremamente sábios e os extremamente estúpidos é que não mudam. - Confúcio
E não é que é verdade? Mudar é preciso. Transformar-se de tempos em tempos, fundamental. Afinal, a mudança faz parte do crescimento e da maturação de qualquer processo evolutivo. É por isso que o AGE - A GENTE ESCREVE mudou (tchan, tchan!) para AGE - A GENTE ENCONTRA. Uhruu!!



Se você é novo por aqui, em primeiro lugar, seja muito bem-vindo. Para os fieis seguidores nestes quase 10 anos, meus agradecimentos de coração. Dá trabalho fazer um blog que busca trazer conteúdo relevante como informação e entretenimento ao mesmo tempo. Mas também dá muito prazer descobrir que vale a pena levar até vocês artigos e matérias que causem alegria, risos, reflexão e conhecimento. Seguidores, seus lindos, continuem curtindo e compartilhando!!!


O AGE - A GENTE ENCONTRA está sendo modificado gradualmente e todas as suas 256 postagens atuais serão revistas, atualizadas se necessário e corrigidas. Teremos publicações traduzidas, mais conteúdo e novidades sobre livros, cinema, música, cultura pop e nerdices em geral. Um aviso superimportante:

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Comentários são fundamentais para melhorar artigos e descobrir o que vocês, leitores, mais gostam. Drama de todo blogueiro, sugestões e comentários (educados de preferência, ouviram haters?) são sempre bem-vindos. Uma dica simples para deixar todo blogueiro feliz é a regra dos "3C´s": Curta, Comente, Compartilhe. Fácil, né? 

Por enquanto é isso, amiguinhos. Aguardem novos posts para breve, avisem a família, os amigos, o chefe, a empregada e o porteiro :)

A gente se encontra no AGE. Até a próxima!!!



 
 

PORRADA NELES E A MORTE DOS HOMENS JURÁSSICOS


Somos feitos de carne, mas temos de viver como se fôssemos de ferro. - Sigmund Freud
O momento não está nada bom para os homens jurássicos. Você conhece, aqueles que permanecem inflexíveis diante das mudanças sociais e da evolução em geral. Os homens sempre estiveram em crise, esse é um fato histórico. Conciliar uma identidade herdada por eras de combate para defender a autoestima e as comparações entre si mesmos, quem é o melhor, o mais potente, o macho alfa de sua tribo e prole, ferraram a cabeça do masculino e continuam ferrando.

É preciso lembrar que, no sentido biológico, o homem é apenas um animal que pensa (algumas vezes) e no resto do tempo é dominado pelos seus instintos primitivos de sobrevivência, copulação, etc. Passe uma tarde assistindo o canal da National Geographic que você vai entender. Homem jurássico é osso mesmo. E duro de matar.

Mas as desculpas acabaram ou nem importam mais. Na verdade, só servem para irritar ainda mais o "outro lado" que esses primitivos chamam de "mulheres". E eu não estou defendendo lados, mulheres também são bem complicadas. E com o acréscimo do politicamente correto, do empoderamento, da questão do gênero e outras tendências que ainda estão na fase do experimento na sociedade contemporânea, a coisa ficou preta. A única escolha dos homens jurássicos é a mesma de seu antecessores: evoluir ou morrer. Mas evoluir para o quê?

ANIMAIS GUIADOS POR INSTINTOS


Quando um pai, ausente durante todo o dia, volta para casa, seus filhos recebem dele apenas o seu temperamento, não educação. - Robert Bly
Homens jurássicos, para ser sincero, não tem idade. Eles podem ser até adolescentes. Com o passar dos anos, a educação das crianças masculinas foi perdendo a sua ancestralidade pedagógica. Pais e avós não ensinavam mais uma identidade masculina para seus filhos. A vida não é um filme da Disney como Rei Leão ou aqueles contos africanos e indígenas onde a sabedoria era compartilhada ao lado de uma fogueira. Na vida real, os pais passavam a maior parte do tempo fora de casa (trabalhando ou não) ou nem estavam presentes.

Até o século XVIII, não era possível encontrar um modelo de sexualidade humana conforme entendemos hoje. Foucault (1986) vai ressaltar que o próprio termo sexualidade é um termo surgido no século XIX, portanto pertencente às sociedades modernas e pós-modernas. - Masculinidade na história: a construção cultural da diferença entre os sexos - Sergio Gomes da Silva (leia a tese completa aqui: http://tinyurl.com/y7er334d)
Os Homens jurássicos da atualidade são aqueles que nasceram lá no começo dos anos 50, na época do pós-guerra e da renovação do mundo pelo trabalho duro e a emergente nova era industrial. São caracterizados por uma educação precária ou inexistente, conservadores e melancolicamente orgulhosos de si mesmos. Suas masculinidade, via de regra, é estabelecida pela sua potencia sexual, força de trabalho e controle de sua prole, parentes e amigos. Se consideram sempre a representação única do macho alfa.

Suas conversas variam entre grandes feitos do passado ou as angustias de uma vida precária e limitada que foi conquistada apenas por eles mesmos. Esposa e filhos são vistos como "troféus" dessa vitória pessoal e exemplos de sua força. Podem ser calados, intimistas, arrogantes e reacionários e, ao mesmo tempo, solidários com aqueles que consideram iguais, muito religiosos e defensores hipócritas da tríade "tradição, família e propriedade". Você sabe, aqueles que amam a mãe mas traem a esposa com várias amantes.

Sentiu o tamanho da encrenca?

O "NOVO" HOMEM HETEROSSEXUAL SENSÍVEL 

O amor é o estado no qual os homens têm mais probabilidades de ver as coisas tal como elas não são. - Friedrich Nietzsche
A questão do homem como um indivíduo cartesiano (que pensa e age sempre da mesma forma) sempre foi criticada pelas mulheres e estudada por outros homens mais sensíveis e, digamos, menos jurássicos. Vale lembrar que as mulheres na antiguidade eram consideradas apenas como reprodutoras (para gerar novos filhos homens e guerreiros) ou concubinas (unicamente para o prazer), tendo pouca ou quase nenhuma participação nas decisões sociais.

Dessa forma, muita gente pode ficar impressionada ao descobrir que a maioria dos filósofos gregos escolhiam amantes e parceiros homens para se relacionarem. Era uma escolha sem preconceito ou peso social, já que dividir a cama com um homem era mais "normal" do que dividir a cama com uma mulher, considerada como inferior. Erroneamente, muitos ativistas gays usam desse fato histórico em defesa do seu movimento, já que não exista essa discussão sobre divisão de gênero na época. Não vale mentir para defender nenhuma causa, ok?

O poeta, ensaísta e ativista americano Robert Bly foi um dos primeiros a escrever sobre uma nova educação para os homens jurássicos em geral. Seu João de Ferro: Um Livro Sobre Homens (1990) foi um best-seller americano e mundial mas que dificilmente foi lido pelos homens tupiniquins. Outros que ninguém leu foram O Homem a Procura de Si Mesmo (1953), do psicólogo existencialista Rollo May e Rei, Guerreiro, Mago e Amante (1993), dos terapeutas Robert Morre e Douglas Gillette.

Todos esses livros trazem contribuições valiosas (mesmo que falhas) para construção da identidade masculina mas, opa, homens jurássicos não leem livros e não se interessam por essas "coisas de mulherzinha" como autoestima, autoconhecimento ou analise das próprias emoções. Desafio as mulheres a presentearem seus namorados e maridos. Depois do futebol, é claro. E para quem tem filhos homens, leiam vocês mesmas, essa é a melhor escolha.

PERDIDOS ENTRE DOIS MUNDOS: SENSÍVEL OU FRACOTE?


Os homens deviam ser o que parecem ou, pelo menos, não parecerem o que não são. - William Shakespeare
Jurássicos ou não, os homens e meninos de hoje estão perdidos, muito perdidos. A psique do Homem moderno virou um purê de batatas. Divididos entre seus impulsos biológicos e a demanda urgente por um upgrade muito tardio em sua sensibilidade, o que temos é um retrocesso e uma fuga para "caverna segura" dos modelos antiquados de uma sociedade patriarcal. Isso se você considerar "seguro" manter-se afastado dos conflitos emocionais, das transformações sociais ou qualquer outro movimento que afete esse conservadorismo.

Sendo assim, o homem moderno pode ser considerado um pressuposto de si mesmo: aquilo que se busca alcançar e, ao mesmo tempo, uma mera conjectura de que "deve" vir a ser. E, veja bem, estou falando dos que ainda consideram pensar sobre isso porque a grande maioria vai levando com a barriguinha de chope, como pode.

Entre os estereótipos do cowboy americano ou do  nosso cabra macho brasileiro, a maioria dos homens da classe média pra baixo (entre 16 e 45 anos) ainda sonham mesmo é com pouco trabalho, ganhar dinheiro fácil e dormir com o maior número de mulheres que puder. Algo entre o James Bond e o Neymar. Triste isso, hein?
  
A GUERRA DOS HOMENS JURÁSSICOS

  
Se os homens estivessem satisfeitos consigo mesmos, estariam menos insatisfeitos com as suas mulheres. - Voltaire
Não se engane: homens jurássicos, criam filhos jurássicos. É uma simples transferência de valores. E não pense que isso serve apenas para homens heterossexuais. Pesquisas recentes (leia aqui e aqui) revelam que o comportamento violento masculino também acontece entre casais gays.

Na teoria evolucionista, essa energia de violência ou agressividade masculina seria uma resposta a falta de atividades antigas/rituais como caçar por comida, buscar abrigo, etc que faltariam ao homem moderno para que ele "se sinta homem" e no comando do seu próprio destino. Em outras palavras: poder, controle e liberdade para fazer o que quiser. Acho que você dançou, rapaz!

Uma pesquisa nacional recente, realizada pela ONU Mulheres, pelo site PapodeHomem e viabilizada pelo Grupo Boticário ajudam a entender esse cenário onde prevalece a violência em troca da falta de dialogo com as próprias emoções e sentimentos: 


Atividades como encher a cara, brigas entre torcidas e até mesmo dar em cima de qualquer mulher que aparece seriam os pobres "rituais substitutos" para aliviar essas energias represadas no homem heterossexual. Bom, além de ser ridículo, essas práticas não educam e apenas aumentam a busca pelo controle  e o poder perante outros homens (pela batalha e competição) e outros gêneros (submissão/exploração do feminino e humilhação/agressão do homoafetivo). Como faz?

O QUERIDO DIÁRIO E O ÁLBUM DE FIGURINHAS

  
Eu não preciso de você nem para andar e nem para ser feliz, mas como seria bom andar e ser feliz ao seu lado. E chega! Há anos peço o príncipe e só me mandam o cavalo. - Tati Bernardi
Homens e mulheres são, biologicamente falando, a Humanidade. Eles não são de Marte ou Vênus, não são tão complexos assim como tentamos complicar. Mas precisamos acabar com o Conto de Fadas: nenhum entendimento é possível sem concessões ou escolhas. Vivemos em uma sociedade com a idade mental de um adolescente, que atravessou o privado e transformou tudo em público, publicável e compartilhado.

Curtimos, "lacramos" e "chipamos" os outros enquanto as tristezas emocionais mais profundas permanecem escondidas em frases sarcásticas, homofóbicas, feministas ou machistas. É muita carência escondida, fala a verdade.

Acredito que ainda teremos que pagar o preço de sermos tão individualistas a ponto de mostrar tudo o que não somos. Os homens jurássicos estão tomando porrada mas não vão morrer. Eles serão substituídos por adolescentes sem educação básica, apoio familiar e o entendimento necessário para lidar com um mundo novo, heterogêneo e diversificado. Por quê? Porquê parece que não existe mais ninguém possa educa-los.


Racismo, preconceito, homofobia, ideologias da moda e fanatismo religioso que usam as poderosas ferramentas das mídias sociais para distorcer e tornar conteúdos importantes em conversas superficiais e competitivas numa mesa de bar. Seria esse, o nosso legado?

O tema homem/mulher (não confunda com homem versus mulher) é enorme e, obviamente, não pode ser reduzido a um artigo. As mulheres jurássicas, alias, também existem mas não me sinto qualificado para falar sobre elas. Se alguma leitora desejar escrever sobre isso, o espaço está aberto e disponível.

Este é um artigo sobre Humanidade, onde defendo a ideia do homem como total responsável por suas escolhas de crescimento e transformação, seja ele hétero, homoafetivo ou até mesmo aquele que se descobriu jurássico. E nem de longe é sobre disputa de gênero ou justificativas de comportamento homem/mulher.

Como já disse a Tati Bernardi, "pote é fácil, quero ver um homem abrir o coração". Até a próxima! 

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ME ADICIONA E A ARTE DE CONSUMIR PESSOAS NAS MÍDIAS SOCIAIS


Você tem um segundo para aprender a me amar; você tem a vida inteira para me devorar. - Cazuza
Ei, você sempre esperou por isso e agora, finalmente, o futuro chegou: A aldeia global que o filosofo Marshall McLuhan conceituou em 1962 virou realidade com a Internet (o cientista Tim Berners-Lee, do CERN, criou a World Wide Web em 1992), os smartphones vieram logo em seguida e, como se ainda não bastasse tantas maneiras para a humanidade se unir, alguns espertinhos visionários criaram o Facebook (2004), o Twitter (2006), o Instagram (2010) e muitas outras funcionalidades para ficarmos cada vez mais juntinhos, felizes e harmoniosos.

Só que não.

Cientistas sabem que todo experimento, assim que sai da teoria para prática, sofre uma transformação que pode ser radical para sua ideia original. Foi assim com a fórmula de Einstein que desejava expandir o nosso conhecimento do Universo mas deu origem a bomba atômica. As boas intenções do progresso também possuem o seu lado infernal que se aproveita do que temos de melhor e pior para garantir a sua própria existência nefasta. O progresso só pode sobreviver pelo consumo e o consumo sempre vai precisar de material para ser consumido. E que matéria-prima melhor do que as pessoas?

Opa, mas não "qualquer pessoa". Quanto melhor a matéria-prima, melhor o produto final, certo? A natureza humana sempre buscou a evolução e não dá pra evoluir (uma outra palavra para o progresso) sem uma referencia do que é "melhor". E no momento atual, esse melhor se transformou em quem faz sucesso, ganha muito dinheiro e sempre aparece "bem na foto" do Instagram e das Mídias Sociais em geral. Bem-vindo a Era da pessoa-produto.

AS MÍDIAS SOCIAIS COMO REPRESENTAÇÃO DA CULTURA


[...] Para que queres tu mais alguns instantes de vida? Para devorar e seres devorado depois? Não estás farto do espetáculo e da luta? [...] Que mais queres tu, sublime idiota? - Machado de Assis
Cerca de uns 30 ou 40 anos atrás, a ideia de seguir a vida de conhecidos e desconhecidos de maneira quase psicopata seria impensável porque daria muito trabalho e as pessoas estavam mais interessadas era na própria vida mesmo. Sem internet, celulares, estradas expressas ou carros e navios rápidos, o ritmo da vida poderia ser considerado muito monótono pelos padrões atuais. Basta assistir um filme produzido nos anos 50, 60 ou 70 (se você tiver paciência) para perceber isso.

As cartas demoravam séculos para chegar, os jornais e o rádio eram as principais fontes de informação e um artigo de luxo chamado televisão só estava disponível em poucas residências. Viver era existir e o consumo, de qualquer coisa, significava apenas manter essa sobrevivência da melhor forma possível. Assuntos sem importância eram para os ricos ou para conversa fiada nos salões de beleza e barbearias porque todo mundo tinha mais o que fazer. O progresso para a construção da chamada "civilização moderna", engatinhava.

Livros, contos e novelas publicadas nos jornais, e folhetins ou ouvidas por toda a família pelo rádio, além do cinema e do teatro, eram as mídias sociais da época. As celebridades eram pessoas que realmente trabalhavam e faziam alguma coisa para inspirar a imaginação das "pessoas comuns" e artistas da música como Elvis Presley, Beatles e Bob Dylan eram devorados por uma juventude idealista e conectada com as questões sociais.

Em resumo, as mídias sociais de outras épocas representavam verdadeiramente a cultura vigente, alimentavam os movimentos transformadores da sociedade e serviam como base para as grandes mudanças futuras. Sem acesso as facilidades da comunicação que temos na atualidade, as pessoas eram mais seletivas, interessadas e espontâneas. Elas precisavam "Ser". A pergunta é: por quê você não precisa?

OS STALKERS DO CANIBALISMO DIGITAL 


Se eu quiser fumar eu fumo, se eu quiser beber eu bebo
Eu pago tudo que eu consumo com o suor do meu emprego
(...) Mas digo sinceramente, na vida, a coisa mais feia
É gente que vive chorando de barriga cheia - Zeca Pagodinho
A base para o consumo é que você tem o "direito" de consumir o que quiser e que isso significa liberdade. As ferramentas de marketing e publicidade criam a ilusão que você "merece" ter algo porque, afinal de contas, você trabalhou muito por isso. Pior ainda, você merece porque nunca teve e precisa "se dar" esse presente. As "iscas" da publicidade para que você enfie o pé na jaca, neste momento, são a felicidade, o sucesso e o reconhecimento. Todo produto vendido hoje, promete a felicidade. Já vi até espaço no cemitério prometendo isso. Felicidade, sucesso e reconhecimento são a formula para uma vida invejável, outra característica importante do consumo. 

A inveja, mais conhecida como "o "desgosto provocado pela felicidade ou prosperidade alheia" ou "o desejo irrefreável de possuir ou gozar o que é do outro" é o que movimenta grande parte das mídias sociais e dos perseguidores (stalkers) da vida digital. Ninguém vai se confessar invejoso, nunca. Isso seria reconhecer a própria fragilidade emocional, a própria infelicidade de uma vida comum e patética que apenas sobrevive. Bora, então, adicionar 500 pessoas no Facebook, compartilhar pratos de comida e viagens no Instagram, reclamar no Twitter da bolsa ou do vestido caro que a artista usou no casamento. "Falem mal mas falem de mim" sempre foi e será uma grande estratégia para o consumo dos outros e de si mesmo. 

DECIFRA-ME OU DEVORO-TE 


Assim como a mulher da mídia deseja ser um objeto de consumo, como um eletrodoméstico, um avião, uma "máquina" peituda, bunduda, sexy (mesmo se fingindo), também o homem da mídia deseja ser "coisa", só que mais ativa, como uma metralhadora, uma Ferrari, um torpedo inteligente e, mais que tudo, um grande pênis voador, um “passaralho” super potente, mas irresponsável e frívolo, que pousa e voa de novo, sem flacidez e sem angústias. O macho brasileiro tem pavor de ser possuído por uma mulher. Não há a entrega; basta-lhe o "encaixe". O herói macho se encaixa em heroína fêmea B e produzem uma engrenagem C, repleta de luxos e arrepios, entre lanchas e caipirinhas, entre jet skis e BMWs, num esfuziante casamento que dura três capas de Caras. E, ainda por cima, atribuem uma estranha "profundidade" a esta superficialidade. - Arnaldo Jabor (talvez)
Se declarar como alguém que não consome alguma coisa, seria de uma hipocrisia terrível. Supostos intelectuais adoram ser do contra, detonar os programas populares que passam na tv, novelas, as músicas da moda, etc. Mas eles também sabem que conseguem vender mais livros e curtidas nas Redes Sociais com essa postura de "contracultura". Ninguém escapa do consumismo. Ninguém.

Porém, consumir pessoas é um pouco diferente. O canibalismo moderno não devora corpos, devora ou molda as mentes dos que mentem para si mesmos. A ideia propagandeada de que "se ele pode, eu posso" representa um pensamento de manada, aquele onde todos seguem uma ideia comum, sem individualidade. Junte isso com o atual paternalismo inclusivo que circula pelas Redes Sociais e você vai ter um monte de gente acreditando que sabe cantar, dançar, fazer comida ou jogar bola. Com certeza, vários sabem e outros são apenas razoáveis. Na inclusão paternalista e condescendente, os razoáveis se transformam em celebridades instantâneas porque servem como objetos de consumo e mídia para outras pessoas que querem ser (wannabe) como eles. É um ciclo de consumo vicioso e difícil de escapar.

A solidão nas Redes Sociais e na vida real fora dela é uma realidade que se pode medir nos números dos amigos adicionados nas diversas mídias, nas curtidas e na necessidade humana de se mostrar vivo, saudável e sempre feliz ou até mesmo miserável e descontente. É o que temos pra hoje e a psicologia social ainda está tentando entender esse fenômeno. A identidade-mídia ainda precisa ser decifrada. Enquanto isso, querendo ou não, somos todos canibais. Até a próxima!


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FAKE LOVE E O AMOR NO BUNKER DA CRISE EXISTENCIAL


O amor não prospera em corações que se amedrontam com as sombras. - William Shakespeare
Uma das coisas legais no estudo da Sociologia e do comportamento humano é perceber que, mesmo com todo o avanço tecnológico e todas aqueles coisas bonitas que podemos ter para sermos chamados de "modernos" e "a nova geração", o imperialismo biológico ainda é quem domina. Ainda somos "como nossos pais", como nossos avós e também como aquelas primeiras tribos primitivas que deram origem a humanidade. O que nos motiva, é o que sempre nos motivou: sobrevivência, alimento, proteção, sexo e Amor.

Porém, como estamos no ápice de um salto evolutivo social como o dos últimos 10 anos, a coisa se complicou. Assim como ocorreu em outras décadas de grandes mudanças sociais, estamos cansados e confusos, estressados e ansiosos por algo que não sabemos muito bem o que pode ser. Com tanta coisa para desejar, não sabemos o que queremos. E com tanta coisa que guardamos como preciosas, não sabemos o que deve partir. 

A solução seria então fingir que sabemos, que estamos preparados e conscientes do que vem por aí? Não estamos. E por isso, fingimos. Fingimos até se tornar real porque, para muitos, o real é o mais seguro. Ou será que não?

TUDO PODE SER FAKE. TUDO PODE SER REAL.


Mas tenho medo do que é novo e tenho medo de viver o que não entendo - quero sempre ter a garantia de pelo menos estar pensando que entendo, não sei me entregar à desorientação. - Clarice Lispector
O Capitalismo Moderno possui uma característica de atração muito interessante. Ele vende a mensagem de que você está inserido no contexto. Ele diz que você pode, que você precisa. Mais ainda, que você deve. Você deve comprar aquele carro ou sapato, você precisa de um plano de seguro que proteja o que é seu, você pode e merece a felicidade do show, da viagem e (por quê não?) do Amor. No modelo capitalista antigo, a ideia de consumo era voltada para o poder e para estabilidade social. Servia, principalmente, para você se sentir seguro dentro do seu "Status Quo", da sua classe social. Agora, o jogo mudou.

Com a chegada das gerações mais idealistas, sonhadoras e sensíveis (aquelas nascidas depois dos anos 90), os sentimentos relacionados ao prazer, felicidade, bem-estar, amor e sexo se tornaram mais "vendáveis" e foram incorporados aos gatilhos de compra já existentes. Agora você pode ser feliz em 25 vezes, sem juros, no cartão. Ou pode fingir que é. Seja você pobre ou rico, a questão não é o quanto você paga mas como vai se sentir a respeito. E a publicidade e propaganda, o comércio e o marketing, as emissoras de televisão e as mídias sociais, sabem que você sente muito, sente sempre, não para de sentir, não é verdade?

Como não poderia deixar de ser, todo esse sentimento urgente pelo que podemos ter e não temos (mas outros "sortudos" possuem) pode gerar uma grande ansiedade, tristeza e até violência. O Capitalismo Moderno não aumentou apenas o valor de um produto mas deu a este produto o status de fundamental e necessário como prazer e satisfação emocional. "Amo muito tudo isso" já foi um slogan famoso que continua na cabeça de muita gente como atitude. Nada mais óbvio então do que tratar o Amor como algo que pode ser consumido também. Em 25 vezes, sem juros, no cartão? Melhor ainda!

O AMOR COMO FAKE NEWS DO CORAÇÃO


A solidão produz insegurança — mas o relacionamento não parece fazer outra coisa. Numa relação, você pode sentir-se tão inseguro quanto sem ela, ou até pior. Só mudam os nomes que você dá à ansiedade.  - Zygmunt Bauman
Quando uma sociedade para de se reconhecer como tal, ou seja, não consegue mais desenvolver conexões de valor e contato participativo entre as pessoas, ela se fragmenta. Grupos ou partidos com pensamentos absolutamente diversos e contrários são formados e começam a discutir entre si por uma unidade que possa restabelecer o conceito anterior dessa sociedade que foi perdida. Com a perda de uma base social, perde-se também a sociabilidade e a desconfiança rola solta. É neste momento que os instintos primitivos de segurança, poder e controle pela sobrevivência (para manter o que é "seu") entram em cena. 

O Amor em uma sociedade fragmentada é urgente e desesperado. Amar pode se tornar um jogo de conquista em busca da unidade perdida. E como no Amor e na Guerra, vale tudo, a estratégia é conquistar primeiro e amar depois. O número de divórcios no Brasil cresceu 160% em 10 anos (veja aqui). Segundo a percepção de Mônica Guazzelli, advogada especialista em direito de família e sucessões, "casais jovens muito imediatistas, incapazes de lidar com as frustrações de um relacionamento depois de dois ou três anos de casados, quando o desgaste do dia a dia já pesa e os projetos de futuro começam a ser questionados", acabam se separando.

Em uma sociedade onde estar sozinho é um sintoma de isolamento e até de depressão, a corrida pelo Amor ou para se manter "feliz" constantemente, virou prerrogativa. Algumas décadas atrás, o pensamento tradicional não colocava a felicidade como um objetivo a ser conquistado. Ter um bom emprego, saúde, estabilidade financeira e uma família eram as metas. O Capitalismo Emocional mudou este pensamento e transformou o Amor e a Felicidade em Commodities, produtos de consumo rápido e passageiro com prazo de validade.  A "Fake News" do momento agora é convencer a si mesmo que a felicidade está lá fora e precisa ser conquistada a qualquer preço

 O AMOR QUE RESPIRA SEM MÁSCARAS


Lembrei que tinha lido em algum lugar que a dor é a única emoção que não usa máscara. - Caio Fernando Abreu
Do meu ponto de vista, a sociedade está passando por uma espécie de "segunda infância". A segunda infância é um termo da psicologia que estabelece uma crise de valores que precisam ser enfrentados e superados na maturidade. É quando a pessoa descobre que alguns daqueles sonhos de criança não vão se realizar, por mais que você tente. A questão não é se o sonho é válido. É se ele representa realmente o que você precisa ou se trata apenas de uma ilusão (Fake News) para evitar uma realidade que não se deseja.

Isso é complicado porque estamos exatamente no momento em que toda a comunicação em torno de nós, vende e comercializa o sonho: o sonho da casa própria, do casamento perfeito, do emprego ou do país dos sonhos. Ninguém gosta de enfrentar uma realidade de término e ter que cair das nuvens para acordar. Porém, basta ver o número de homicídios e atentados contra a sociedade (e contra as mulheres e a diversidade de gênero, principalmente) para entender que precisamos acordar de verdade para este processo de transformação que ecoa na sociedade mas que nasceu de uma insatisfação pessoal e de uma necessidade interna de mudança. E mudar, nunca é fácil.

O Capitalismo Emocional sempre vai te guiar para novos relacionamentos que "vendem" a Felicidade do Encontro Perfeito. Você vai acreditar e "curtir" até que esse "produto" perca seu prazo de validade, vai dizer que "a fila anda" e que "o que importa é ser feliz" e o processo vai se repetir. Seria como aquele ratinho na rodinha de exercícios. O ratinho não tem escolha, ele atende ao seu imperialismo biológico (e irracional) de continuar correndo para lugar nenhum. Para quem não é ratinho, a escolha me parece óbvia. Agradecido e até o próximo artigo!

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