ÚNICO COMO TODO MUNDO (E COMO CONTINUAR ASSIM)

domingo, julho 10, 2016 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


São inúmeros os que se parecem comigo e eu no entanto permaneço único. - Vassyl Symonenko (1935 – 1963), poeta e escritor ucraniano

Parece que existe uma espécie de fascinação em ser diferente rolando por aí. Pessoas diferentes do resto da população seriam mais interessantes, inteligentes, antenadas, vibrantes e criativas. Pessoas diferentes seriam como imãs que atraem somente coisas boas e divertidas, inovação em todos os aspectos e muita alegria e felicidade à sua volta. Pessoas diferentes seriam únicas na sua qualidade de vida e estilo, no seu comportamento e personalidade. Pessoas diferentes fariam um mundo melhor, mais justo e legal para se viver e curtir.

Mas será que "ser diferente" é tão legal assim? E será que somos realmente diferentes das outras pessoas?

O processo de diferenciação começa na infância, assim como tudo começa. Lá pelos cinco anos, a criança já exibe os primeiros sinais de uma personalidade particular e a formação inicial do que é conhecido como Ego, onde se localizam a noção de consciência corporal e os sistemas de defesa contra a realidade exterior (como a família, sociedade, etc). 

A criança "descobre" instintivamente e por repetição que não é igual aos seus pais, irmãos ou parentes. Ela é "algo" mais. Ou melhor, ela é igual mas diferente. Ela é única. Com a chegada da adolescência, essas particularidades aumentam e com elas, as famosas brigas e rebeldias típicas dessa fase de desenvolvimento. 

Na teoria, a fase adulta (algo entre os 35 e 45 anos) seria o ponto onde nosso Ego e nosso Eu (Self) entrariam em harmonia, como resultado do crescimento da nossa consciência pessoal e social, resolução dos conflitos internos e neuroses e a aceitação dos limites impostos pela idade e a biologia. Na teoria, porque o resultado foi exatamente o oposto disso e continuamos na busca por uma compreensão sobre nós mesmos e os outros (que são, em essência, iguais a nós) que parece eterna e impossível de se alcançar. 

Ou, talvez, não.

 VOCÊ É ÚNICO MAS NÃO É DIFERENTE


Esse é um conceito que precisa ser reavaliado e, quem sabe, retirado da cultura social. Em termos evolutivos, você é igual a qualquer outro ser humano no planeta, inclusive aqueles considerados gênios, inovadores e artistas em geral. É claro que uma série de fatores sociais contribuíram para formação de um Steve Jobs, um Van Gogh, um David Bowie. Porém, tanto a ciência quanto a psicologia e a sociologia já conseguiram provar a igualdade latente e potencial que cada ser humano possui de criar e desenvolver suas habilidades.

Então, por quê não somos um mundo de gênios e artistas? Por quê apenas algumas pessoas são vistas dessa forma?

A resposta não é simples. Educação, estrutura familiar, grupos sociais, oportunidades profissionais (ou a falta delas), etc sempre foram alguns dos indicadores considerados responsáveis pelo desenvolvimento humano mas também pelo empobrecimento daquilo que te faz único. 

Isso tem a ver com a mentalidade de grupo ou desindividuação. Como parte do processo adaptativo, somos ensinados a fazer parte de grupos já existentes como forma de integração social. É o sistema que funciona até hoje nas escolas formais que deturpa a ideia de igualdade com base no pensamento genérico em troca do pensamento original. "Pensar igual" seria o modelo considerado mais eficaz para evitar conflitos e manter uma sociedade civilizada (mentalidade de grupo). Não dá dando muito certo, né?

Entretanto, o que mais impede o reconhecimento das nossas qualidades potenciais é, acredite, a valorização da individualidade alheia como "espelhos" da nossa própria individualidade.

 POR QUÊ CULTUAMOS PESSOAS ESTÚPIDAS?


Este é o século do culto às celebridades (que nem sempre representam pessoas talentosas ou com valores reais), uma construção social que surgiu pouco depois do estabelecimento das Redes Sociais como novas plataformas de entretenimento. O que acontece é que dentro das nossas cabecinhas existem alguns neurônios especiais chamados neurônios-espelhos ou células-espelho. Essa galera é responsável pela nossa capacidade de imitar o comportamento de outro ser da mesma espécie e aprender com isso. Ou não. 

A descoberta dessas células é tão importante que pode mudar a forma como entendemos doenças como o autismo e a esquizofrenia e mesmo a linguagem. Serve também para explicar a nossa incrível habilidade para falar ou fazer coisas estúpidas como bater uma Ferrari em um túnel ou votar em um idiota racista para presidente. 

O desejo de ser especial de alguma forma não é um erro em si, é um processo evolutivo que ajuda a sociedade a se reinventar e progredir. A questão é o modelo que usamos para gerar essas mudanças. Crianças, adolescentes e adultos têm suas células-espelho mergulhadas diariamente em mensagens virais de muito impacto (comercial/ideológico) e nenhuma informação que realmente informe algo de útil e prático. 

É a mesma mensagem para todos que se acham originais e diferentes, percebe? 

O motivo para existência de tantos programas sobre "a vida real" e milhões de vídeos com pegadinhas e fofocas de celebridades é a nossa necessidade atual de escapar de um mundo estressante, egoísta e competitivo que nos empurra para estupidez do pensamento simples e não reflexivo. Sonhar em conquistar poder, riqueza e fama para não ter mais que trabalhar, não te fazem diferente, apenas igual a maioria das pessoas que ainda acreditam que isso significa felicidade.

Ninguém deve dizer ou ditar o que você pode assistir, qual música ouvir, etc mas saiba que isso influencia a sua visão de mundo e como você se comporta nele, certo?

UM MUNDO ÚNICO E DIFERENTE 

 
Talvez você não saiba, mas o poder de compra e consumo na atualidade, está nas mãos da chamada Geração Y ou Milennials. São eles que consomem mais conteúdo eletrônico, fazem mais compras e viagens. estimulam tendências, etc. As sociedades são marcadas como mais livres e jovens ou velhas e conservadoras, de acordo com a predominância de seus costumes e a Geração Y marca este momento na atualidade.

Seguindo esta linha de pensamento e com base nas novas tecnologias em desenvolvimento e avanços experimentais em todas as áreas, dá pra entender que estamos vivenciando um momento de inovação, um período essencialmente juvenil que busca a maturação. Ainda não dá pra saber o resultado dessa troca de mentalidade. Células-espelho podem ser comparadas com placas solares que captam a energia do sol. Esta energia pode ser usada para qualquer fim positivo ou negativo, é um potencial que depende da atitude de cada um.

Dizer que a sociedade atual vive uma fase de "adolescência" pode ferir o Ego de muita gente que se considera madura para fazer passeata mas não dá bom dia para o porteiro ou seu vizinho. O próprio conceito de maturidade depende de uma série de tentativas de erro e acerto que variam de acordo com o grau de responsabilidade e deveres que assumimos como nossos. Em um momento onde o politicamente correto predomina e todos buscam igualdade (de gênero, raça, etc), ser "diferente" pode resultar em... ser igual a todo mundo. Que paradoxo, hein?

VOCÊ ÚNICO E IGUAL (A VOCÊ MESMO)

  
Não existe uma resposta ou conclusão óbvia para esse processo de busca da individualidade. O imprevisível faz parte da jornada (da vida). Seus grupos, ideias e crenças podem não ter mais nenhum valor daqui a 10 anos ou podem moldar o seu caráter para sempre. 

Traumas, complexos, perdas, um novo amor, novas habilidades, existe uma lista infinita de possibilidades que nos diferenciam de um bando de gaivotas ou uma matilha. É o que torna a natureza humana tão fascinante. E tão errática também.

Seja você da Geração Y, um quarentão ou alguém da terceira idade, suas células-espelho continuam ativas, copiando por amostragem, o que o mundo oferece. É joio e trigo no mesmo saco. quem escolhe e separa é você. E mais ningm. 

Minha dica? Esqueça o especial, esqueça o "diferente" e aposte no único. Porque isso é o que você sempre foi. E sempre será. Até a próxima!!! 

 
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