HASHTAG - A REVOLUÇÃO SIMBÓLICA QUE TRANSFORMA VOCÊ EM MENSAGEM.

quarta-feira, novembro 26, 2014 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Nunca fomos tão simbólicos quanto agora. Pelo menos, não conscientemente. A Era das Redes Sociais avivou umas das mais primitivas formas de comunicação interpessoal da Humanidade: o uso de símbolos e sinais como códigos para o relacionamento social.

Há 40.000 a.C (período Paleolítico Superior), nossos ancestrais ilustravam sua rotina de vida através de desenhos rudes nas cavernas. Eram cenas de caçadas, de convívio com o grupo, a família e seus deuses (Arte Rupestre, veja o link). Este era o meio e esta era a mensagem. Hoje o meio é a internet, o próprio corpo e o mundo. Você é a mensagem.


Nunca fomos tão tatuados. Documentos arqueológicos indicam que as primeiras "tattoos" foram feitas no Egito entre 4000 e 2000 a.C. e também por nativos da Polinésia, Filipinas, Indonésia e Nova Zelândia (maori), principalmente por motivos religiosos. O mesmo acontecia com os piercings. Para o Homem moderno o sentido parece outro: "Leia-me, este sou eu. Eu sou a mensagem." Agora, é a pele que revela o interior, seus desejos e vontades. É você, do avesso.
 
Nunca fomos tão expostos. Não dá pra saber se os fundadores do Twitter (Jack Dorsey, Evan Williams e Biz Stone) escolheram propositalmente o símbolo Hashtag (#) com a ideia de, além de repassar uma mensagem, unir grupos por um pensamento comum. De qualquer modo, o Hashtag foi elevado ao status de "identidade virtual": #eugosto, #euvou, #totriste, #vocenaomeentende e por aí vai. Talvez não seja difícil imaginar, em um futuro bem próximo, um bebê ser batizado de #Pedro de Oliveira ou Mariana #veioparabrilhar Sampaio.
 
O Homem Moderno virou símbolo de si mesmo. Qual é o problema, afinal?


Os mesmos de sempre: significado e interpretação. O questionamento mais comum entre os psicólogos é saber para onde vai a identidade desta nova geração tatuada e que já vem com etiqueta (tag). Se a capacidade de expressão não tem mais limites, qual será o valor da comunicação que não tem nada para esconder?

Alguns sinais de falha, comuns a todo processo de interação grupal, já estão aparecendo. Um deles é a "depressão virtual", pessoas que perderam o caminho entre a vida real e aquela fantasiada nas Redes Sociais. Uma das bases de todo símbolo é fazer sentido e possuir significado (pessoal ou para um grupo). Sem significado não existe interpretação. E sem interpretação, o símbolo perde poder e vira apenas um rabisco, uma marca sem sentido algum. E a identidade da pessoa também. Esse é o perigo.

Nenhuma das formas de comunicação (tatuagem, piercings, hashtag, redes sociais) representa a sua identidade pessoal, apenas a persona (na psicologia analítica de Jung, é dado o nome de persona à função psíquica relacional voltada ao mundo externo, na busca de adaptação social).

Para o Homem primitivo era diferente, tudo queria dizer alguma coisa. Depois de entendida, essa "coisa" tornava-se sagrada e era assimilada à vida do grupo como uma expressão natural do ser (essência). E um novo símbolo nascia para guiar o individuo e a comunidade.

A resposta pode estar aï: seguir a sua natureza. Tornar-se Você antes de virar #você. E não revelar tudo de uma vez. Afinal, guardar um certo segredo e mistério faz parte de qualquer Símbolo. E das pessoas também. Até a próxima.

Um vídeo bem bonitinho sobre Arte Rupestre

O passeio de uma Hashtag popular pelo Mundo

Tatuagens e Piercings

Zombie Boy: Identidade invertida

Fontes:

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