JESUS INC. - A PUBLICIDADE QUE PEGOU JESUS PRA CRISTO.

terça-feira, março 26, 2013 Marcos H. de Oliveira 1 Comments


Papa novo, Papa-móvel e a modernidade vai acabando com os símbolos e signos que, algum dia, representaram alguma coisa.

Ano retrasado, ganhei um ovo de Páscoa que vem com uma caneca do Shrek. A Páscoa (do hebraico Pessach, significando passagem) é o mais importante evento do calendário judaico-cristão. Afinal, é a Ressurreição de Cristo e a data em que os judeus comemoram a libertação e fuga de seu povo escravizado no Egito. Mas eu ganhei uma caneca do Sherek.

Comecei a pensar nas diversas formas de como podemos publicar e propagar uma imagem duradoura nestes tempos onde meio e mensagem correm rápido demais. O “Filho do Todo Poderoso” é um ótimo exemplo disso porque representa um ícone que conseguiu se desagregar da sua "agência oficial", a Igreja, e criar seu marketing pessoal. E não me diga que fica ofendido com isso porque todos ajudaram a criá-lo.

Será que alguém lembra daquela imagem gerada por computador da minissérie Jesus – O Filho de Deus (Jesus: Son of God, Inglaterra, 2001), produzida pela rede inglesa BBC que garantiu uma boa discussão na época? É provável que não. Olha aqui:


Para entender porque você pode ter uma certa dificuldade para aceitar esse Cristo (e não outros Cristos mais fashion e bonitões) está em um termo de origem alemã chamado Kitsch que todo criativo deveria conhecer ou ter estudado.

Em resumo, o Kitsch pega algo original e de conteúdo único e o transforma em objeto de consumo por meio de infindáveis cópias que são vendidas a preço de banana (ou não). É a Monalisa no calendário e o Pinguim na geladeira. É o Cristo Redentor em cima da estante e a foto autografada do seu artista preferido. 


O Jesus que você conhece, na verdade não é conhecido. Agora, a imagem publicada e propagada do Cristo você está cansado de ver na Sessão da Tarde em todo feriado de Páscoa: cabelo hippie, olhos azuis e uma barba perfeitamente malfeita. Jesus é conteúdo. Cristo é forma.

Santa heresia, Batman! Não mesmo. Cristo é um dos melhores exemplos de Buzz Marketing para estudar o desenvolvimento de uma ideia/conceito/produto. Cristo já era viral em uma época onde as novidades chegavam somente a cavalo ou no lombo de jegue. E nem precisou do twitter para conquistar milhares de followers. É o sonho de qualquer marqueteiro: ter um "produto" que é "morto" todo fim de semana mas que ressuscita logo depois porque é "imortal" na cabeça de milhões de consumidores. Jesus tem sua publicidade salva e garantida em discursos acalorados, anúncios provocadores e mídia espontânea. Aleluia!


Se o Papa é Pop, Cristo é Superstar. Cristo é Brahma, Coca-Cola e Balas Juquinha. Um produto sem origem definida (ninguém quer mais saber da fórmula da coke) com uma campanha enooorme de marketing por trás (a Bíblia é o maior broadside já criado para uma campanha). Nem o Olivetto faria melhor. Claro, afinal não dá pra competir com o “Criador”, né?


Jesus não é mais dos católicos, crentes ou qualquer outro segmento religioso. Jesus é um componente mítico que faz parte do marketing de conquista, do marketing de guerra (religiosa), da programação neurolinguística da cultura pop de consumo.  Engula essa, Judas (porque, pra ser sincero, o Capeta está em segundo lugar como outro grande exemplo de markerting de produto).

 
Se eu continuar, este artigo ficaria enorme e daria uma bela tese de mestrado, mas sejamos objetivos: a criação não é pautada por questões pragmáticas, uma linha de sentido, uma sequência de atos. Uma imagem ou referência pode se transformar em qualquer coisa. Basta trabalhar a idéia em termos de reprodução como o kitsch faz e angariar seu valor por meio do marketing e dá mídia.

 

Um detalhe: levou um bom tempo para mídia conseguir fixar esse "Cristo Pop". Os primeiros filmes de Jesus, por exemplo, só mostravam o Filho de Deus de costas e nas sombras. Biologicamente falando, seria impossível um Cristo de olhos azuis e branquelo sob o sol do deserto. Mas a fé (e um bom Atendimento, de preferência com 12 apóstolos que saibam escrever) realiza milagres, não é mesmo? 


Portanto, lembre-se: ao ter que encarar o seu próximo briefing onde o produto é um Dolly (urgh!) da vida, siga as escrituras do Kitsch e da Semiótica e pergunte a si mesmo: “O que Cristo faria?”

Uma ótima Páscoa para todos os leitores do AGE!

Jesus of Nazareth (1977) com Robert Powell

Jesus 2000 de Remi Bastie - pop descarado

The Greatest Action Story Ever Told - Humor negro para poucos: Será que  o Exterminador do Futuro consegue salvar Jesus da Crucificação? 



Fontes: