SOMOS TODOS PORNOGRÁFICOS E O HEDONISMO VIAGRA BOTOX

quarta-feira, dezembro 16, 2015 Marcos Henrique de Oliveira 0 Comments


Não mordas um prazer antes de ver se não há algum anzol escondido nele.  Thomas Jefferson
Se você está lendo este artigo em algum momento que não seja o ano de 2015 (e espero que existam leitores, lá de 2025 em adiante, que encontrem esse blog), saiba que o dia 22 de novembro definiu o momento histórico da sociedade com um anúncio que, no mínimo, parece uma piada: a fusão da Pfizer (Viagra) e Allergan (Botox) pelo valor estimado de US$ 155 bilhões. Pronto. Somos, oficialmente, uma sociedade de velhos e velhas esticados e excitados. E isso vale muita, muita grana.

Passeando por pesquisas diversas, ficamos sabendo que as mulheres brasileiras estão na liderança de acesso aos sites pornográficos (leia aqui) onde a média mundial é de 10 minutos e 10 segundos para as mulheres, e 9 minutos e 22 segundos para os homens. Saindo do sexo e indo para outras áreas de prazer, descobri que somos a sociedade que mais consome açúcar (o brasileiro consome 3x mais que a média mundial) e fast-food de todos os tempos. Sobre gorduras e sal, melhor nem falar.

A soma de todo esse banquete realmente pornográfico tem um nome bem bonitinho: Hedonismo


O "prazer" pode ser definido qualquer sensação que cause satisfação imediata ao indivíduo, gerando bem-estar e relaxamento. Isso, provavelmente, você já sabe. Porém, os mecanismos do prazer não são uma ciência exata. O prazer pela dor (masoquismo), o prazer pelo sufocamento (Hipoxifilia ou Asfixia Erótica) e outras taras sexuais, por exemplo, ainda intrigam a psicologia e a ciência.

O prazer é uma necessidade biológica que funciona de forma instintiva nos animais e como desejo para os seres humanos. Um desejo que tornou-se praticamente insaciável.


Na sociedade atual, a busca frenética pela satisfação em qualquer área da vida e a recusa sistemática do fracasso (desprazer) desenvolveu um novo modelo de conduta onde comidas, bebidas e produtos como roupas, carros e aparelhos eletrônicos tornaram-se sinônimos de prazer imediato e (quase) acessível para todos.

O erotismo está presente em comerciais de fast-food, computadores e até para vender remédios para impotência e brinquedos. O prazer como sinônimo de felicidade agora não é apenas conjugal ou pessoal mas também social: ser feliz no mundo contemporâneo é ter algo, alguém ou qualquer coisa que possa "representar" fisicamente a felicidade, antes considerada um sentimento lúdico e intangível (que não pode ser tocado, apenas sentido).


Ironicamente, a maioria dos prazeres são fugazes e passageiros. Eles não duram porque não foram feitos para durar (eternamente). E quando o prazer passa, vem a insatisfação trazida pela consciência e a necessidade de se obter mais prazer. Toda comunicação atual carrega a missão "altruísta" de trazer o seu prazer de volta com uma promoção para comprar aquele celular novo, fazer a plástica para te deixar mais "jovem" ou 50 tons de como apimentar a relação que caiu na rotina

Envelhecer não faz mais parte dos planos de uma sociedade hedonista e a imagem do ancião sábio periga ser trocada por uma pessoa "da melhor idade" com dentes extremamente brancos, roupa de academia e um discurso liberal-naturalista mais superficial do que frase de biscoito da sorte.


(A Palavra) “pornografia”  vem do Grego PORNOGRAPHOS, “aquele que escreve sobre prostitutas”. Forma-se por PORNE, “prostituta”, originalmente “comprada, trocada”, de PERNANAI, “vender”, mais GRAPHEIN, “escrever”. Inicialmente se aplicava à arte e escrita clássicas. Modernamente é que a palavra se aplicou ao que é sexualmente malicioso. - http://origemdapalavra.com.br/site/palavras/pornografia/
Quando entendida na sua complexidade, o Hedonismo é uma prática que transforma positivamente a nossa visão do mundo e o caminho que escolhemos para nossa felicidade. A essência do prazer pela vida requer uma contemplação muito distante dos valores enaltecidos pela publicidade, a propaganda e as indústrias farmacêuticas e cosmética. O problema não está  apenas no quanto se consome mas porquê se consome.

Prazer é também uma questão de educação pessoal. Pessoas que não tiveram a oportunidade ou a vontade de se educarem na juventude e na idade adulta, tendem a valorizar os bens materiais como afetivos e consumir por carência emocional. 

 
A crise ocorre na chegada da velhice, quando se percebe que o corpo não é mais a fonte para se obter prazer e a mente não se desenvolveu intelectualmente para apreciar satisfações mais lúdicas e sensoriais como a música, a pintura e o sabor dos alimentos em quantidades moderadas. Famintos e estimulados pela mídia do consumo (inclusive do que se supõe saudável), caimos na armadilha da transferência do prazer e toda culpa que vem com ela. E dá-lhe remédios para emagrecer, pílulas para depressão, corridas para academia, dietas loucas e por aí vai. Será que precisa?

Todo prazer esconde um vício em potencial. E todo vício esconde uma necessidade não satisfeita. Enquanto os romanos praticavam banquetes onde comiam e depois vomitavam (na sacada do palácio, em um lugar feito para isso) para voltar e comer ainda mais, os gregos preferiram colocar na entrada do seu mais famoso templo (Delfos, dedicado ao deus Apolo) a frase "Nosce Te Ipsum" ou conhece-te a ti mesmo onde, posteriormente, Sócrates acrescentou "nada em excesso".


Em tempos de festa e comemorações, de mesas fartas ou não, e promessas de mudar "para melhor" no ano que vem, nada melhor do que descobrir se você é mais grego ou romano porque, no fim das contas, o maior prazer que existe é  a gente saber realmente quem é e o que fazer com isso

Até a próxima!!!

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