EU QUE APRENDA A LEVITAR E COMO VIVER A NOVA EXISTÊNCIA

sábado, abril 16, 2016 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Procuramos sempre o peso das responsabilidades, quando o que na verdade almejamos é a leveza da liberdade. - Milan Kundera

Estou aprendendo a levitar. É sério mas pode rir. Mostrei para uma amiga e ela riu também porque não é fácil retirar a gravidade do corpo, o peso que nos arrasta para baixo e tenta nos manter lá. Não se trata apenas de uma dieta. Pensamentos e emoções exercem um peso enorme, também no corpo e acredito que a maioria sabe disso. O que a maioria não sabe é que nosso corpo conta uma história que vai além das rugas, tatuagens, cirurgias ou da passagem do tempo.

O livro Mito e Corpo de Stanley Keleman é um bate-papo bem legal com o mitólogo Joseph Campbell a respeito das impressões feitas no corpo durante os anos. A somatização dos efeitos da vida no organismo é a base do  Método dos Cinco Passos de Stanley Keleman que ele denomina de Processo Formativo ou Psicologia Formativa, um assunto realmente interessante que você pode conhecer, clicando nos links.  

Seu corpo (e mente) é um palco para História e Mitologia, um livro vivo onde tudo é escrito em um nível muito profundo. E quando eu digo profundo, estou falando, não apenas da sua pele, mas dos nervos, células e tudo mais. Eu tomaria cuidado na hora de compartilhar esse corpinho, hein? Talvez, esta seja a hora de você aprender a levitar também. Quer aprender?

OLHANDO PARA O ABISMO


A Gravidade é uma força da Natureza. Seu objetivo básico é manter você no chão (e não abaixo dele). Sendo a Gravidade o que é, você está recebendo pressão o tempo inteiro. O eixo do corpo representa, como uma bússola, as direções que você pode escolher. Se não escolher nenhuma, você permanece em repouso (mas, ainda, recebendo pressão constante). Em termos físicos, esta pressão afeta (na ordem) cabeça, pescoço, meio das costas, cintura, joelhos e pés. 

Uma ideia para se medir o quanto o corpo pode aguentar é você ser capaz de levantar o seu próprio peso em massa corporal. Se você consegue "se levantar", isso quer dizer que o seu corpo "te aguenta" em termos proporcionais, ok? 

Lembro que tudo isso é relativo a um corpo em condições saudáveis, sem doenças graves, uma pessoa com uma saúde considerada boa. Mas fique tranquilo que, mesmo se você não está lá essas coisas, levitar ainda é possível. Isso se você prestar atenção na segunda fase da levitação, seus pensamentos ou, como eu gosto de dizer, olhando para o Abismo.


Sempre disse aos amigos que gostaria de ter um buraco de uns 3 metros de profundidade em casa para quando ficasse irritado. Afinal, ninguém merece servir de bode expiatório para pessoas irritadas e o mundo atual faz com que esse seja quase sempre a primeira emoção para tirar do bolso. 

Mas, como a prefeitura não deixou eu cavar um buraco, resolvi meditar. Existem muitas formas de meditação e a que funciona para mim é a de movimento. Um livro que ajudou bastante no começo foi o "Meditação Andando, Guia para a Paz Interior" do budista vietnamita Thich Nhat Hanh, ótimo para quem vive na cidade grande. Só certifique-se de andar em um lugar seguro para não ser atropelado, por favor. 

O lance é que, ao juntar as duas leituras e mais algumas, descobri que a Gravidade é um conceito maleável, até certo ponto. Nossa existência atual é composta de duas gravidades: a do corpo e a da mente. 

Na gravidade do corpo, nos preocupamos (mais ou menos) com o bem-estar do organismo e coisas como gorduras, vícios, doenças, etc. 

Na gravidade da mente, ocupamos a cabeça com a estabilidade financeira, empregabilidade, troca de carreira, vestibular, faculdade, pensão, férias e outras tantas coisas mais. 

Corpo e Cabeça recebem estas informações o tempo todo e tentam processar o que podem. O corpo busca soluções físicas para o organismo e a cabeça busca soluções práticas para organizar o pensamento. Para onde vai o "lixo" que sobra neste processo todo? Para suas emoções. Pois é...

O MAR, O BARCO E A VELA


Se complicou, uma imagem pode ajudar: imagine que suas emoções são como o alto mar (sempre em movimento, caótico, inconstante), o barco é o corpo (fixo, duro, sólido) e a mente é a vela (também em constante movimento mas com uma direção que depende do vento). O vento representa uma escolha pela direção que desejamos seguir para chegar até o nosso porto seguro, a terra. O vento é a Meditação e o Levitar. É a bússola para mente que se agita acima das emoções.

Na prática, o exercício pode fazer você rir no começo porque, sejamos sinceros, é algo estranho mesmo. Você vai precisar de uns 5 metros quadrados para isso ou mais. Para se livrar da Gravidade, precisamos nos livrar, primeiro do peso. Qualquer problema físico ou emocional causa uma flexão do corpo para dentro, ele se contrai. A linguagem corporal é de alguém se fechando para o problema, franzindo a testa, fechando os punhos, dobrando as costas. O exercício é o oposto disso:

01. Fique de pé, no centro do espaço que escolheu. Não feche os olhos;
02. Comece a prestar atenção no seu corpo e como ele se mantém no eixo vertical. Não tente estalar nada como seu pescoço ou costas. Apenas preste atenção no eixo;
03. Sinta o peso da Gravidade nas mãos e pés mas não tente movimentar nada. Deixe que seu corpo "conte" o movimento que ele deseja fazer;
04. Não tente controlar esse movimento. Permita que o corpo possa escolher a posição e como deseja se movimentar. Se perceber que está controlando a ação do corpo, volte e comece de novo;
05. Não se preocupe se cair no riso, etc. São as endorfinas agindo em você. Porém, lembre-se de voltar a prestar atenção a como o seu corpo se movimenta. 


É fundamental que você liberte o seu corpo do controle (mental) sobre ele. Segundo Keleman, nosso organismo registra tudo o que acontece conosco em um nível celular. O corpo já sabe antes que a sua mente saiba. Se você já fez balé, dança ou alguma arte marcial, evite repetir estes movimentos neste momento. Liberte o seu corpo desse Ego até onde puder, ok?

No começo, e fazendo da forma correta, seu corpo pode começar a se movimentar como um bêbado ou alguém tentando não cair. Se o seu corpo quiser ir para o chão, deixe-o ir. Outros movimentos estranhos (como se contorcer como uma cobra em câmera lenta, por exemplo) podem ocorrer. Tudo isso é o seu corpo entrando em sintonia com ele mesmo de novo. Provavelmente você vai ouvir muitos estalos dos pontos onde a Gravidade atuou mais como pescoço, costas e joelhos. O comparativo mais próximo que posso chegar dessa técnica é a de um Tai chi chuan ou da Yoga mas sem os movimentos predeterminados.

Você determina o tempo para o exercício. Algumas posições escolhidas pelo corpo podem te deixar "parado" durante vários minutos. Isso ocorre porque, como a sua mente não está dizendo qual é o próximo movimento, é o corpo que precisa escolher. E essa escolha é beeem lenta. Então, deixe-o escolher. Minhas sessões duram entre 15 e 45 minutos. Pratique e veja o que seu corpo faz.

E A MENTE? 

 
A mente, meu caro, essa é um problema. O Budismo compara os pensamentos como macaquinhos saltitantes. O truque aqui é pegar o que te incomoda e fazer o exercício acima pensando nisso. Já pensou no desemprego, falta de grana ou qualquer outra coisa no meio de uma dança? Então, essa é a sua chance.  

Ao fazer essa meditação em movimento, junto com os problemas do cotidiano, você vai imprimir uma nova reação emocional ao seu corpo. Basicamente, você estará deletando as reações habituais que tinha e escrevendo um novo código corporal para as emoções negativas. Dor na nuca toda vez que ouve a palavra "contas"? Troque por um movimento expansivo de abertura do diafragma pulmonar. Dor nas pernas quando precisa fazer algo que não quer? Troque pelo movimento dor pés, andando em círculos no eixo do corpo. Se funciona? Pra mim, sim. Mas somente você pode dizer se vai funcionar no seu caso.

Existir em um mundo como este que se apresenta, não está fácil. Viver no nosso país, nem me fale. Precisamos nos reinventar, não apenas nas nossas carreiras e relacionamentos mas em um nível mais profundo, existencial e, quem sabe, corporal e até celular para reduzir a nossa pressão sem maltratar os outros. Podemos cavar buracos de distanciamento reais ou simbólicos para nos esconder ou podemos tentar levitar.  

Eu fico com a segunda opção, quem vem comigo? Procure pelos livros, experimente o exercício e venha aqui me contar. Até a próxima!

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