KAMA SUTRA - DESCUBRA VATSYAYANA, O AUTOR DO LIVRO MAIS SACANA DO MUNDO.

domingo, setembro 02, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

 

Para ser sincero, é bem difícil encontrar o Kama Sutra sendo comentado como Literatura. O Inconsciente Coletivo já catalogou esta obra milenar e poética como "apenas" um Manual de Sacanagem, uma ferramenta para esquentar a rotina amorosa de casais entediados. Pensar assim, é como ler Nelson Rodrigues e só prestar a atenção na pornografia. Vamos tentar avançar para um pouco além disso, certo?


Vātsyāyana é o nome de um filósofo indiano de tradição Carvaka e Lokyata, que viveu entre os séculos IV e VI antes de Cristo. Ele é conhecido como o autor do Kama Sutra. Freqüentemente confudido com o Mallanaga Vātsyāyana, que na verdade se refere ao criador mítico da ciência erótica. - Wikipédia


O Kama Sutra é um livro sobre o comportamento amoroso, no sentido em que amar inclui o sexo como o ponto maior, o ápice da unidade entre dois seres humanos. Pode parecer fora de moda para você, mas antigamente, ir para cama (Kama, percebeu?) com alguém era estabelecer uma união total e não apenas física.

Kama é a literatura do desejo. Já o Sutra é o discurso de uma série de preceitos morais que seriam a base para um comportamento amoroso com qualidades superiores, de elevação. Lições, por assim dizer.

"Ao contrário do que muitos pensam, o Kama Sutra não é um manual de sexo, nem um trabalho sagrado ou religioso. Ele também não é, certamente, um texto tântrico. Na abertura de um debate sobre os três objetivos da antiga vida hindu - Darma, Artha e Kamadeva - a finalidade do autor, Vatsyayana, é estabelecer kama, ou gozo dos sentidos, no contexto. Assim, Darma (ou vida virtuosa) é o maior objetivo, Artha, o acúmulo de riqueza é a próxima, e Kama é o menor dos três.” — Indra Sinha (tradutor anglo-indiano)

Em resumo, sexo é o objetivo último a ser atingido na Arte do Kama Sutra, onde o Dharma corresponde a aquisição de mérito religioso, Artha refere-se a aquisição de riquezas e o kama, a conquista de amor ou prazer sexual. E como fica a poesia?

Cada capítulo do Kama Sutra apresenta uma série de passos, assim mesmo como um Manual, para que o homem se comporte como o amante ideal (as mulheres eram vistas e tratadas como submissas na época).

Este conceito de amante também é de raiz. Amante é aquele que ama (qualquer coisa) e não o sentido pejorativo que se apresenta hoje. A poesia está exatamente na descrição de cada passo. Algo como:


"Em todas as coisas ligadas ao amor, cada um deveria agir de acordo com sua própria inclinação."
(Montando o cenário)
"As mulheres, sendo de uma natureza terna, querem começar ternamente."
(Toques e Abraços)
"Se a mulher beijá-lo, ele deve beijá-la de volta. Beijar é uma arte em si.
A boca é uma das partes mais sensíveis do corpo."
(Beijos e Preliminares)


Captar a sutileza do Kama Sutra vai depender da sua intenção. Aconselho a ler o original (inclusive ilustrações) e não as versões ditas mais recentes que cortaram os ensinamentos do Dharma e Artha pra cair direto na Kama (se é que me entende).

Capítulos como "Os homens que elas desejam" ou "Porquê ela rejeita um homem" são bem divertidos e incrivelmente modernos. Na maioria das vezes, a sacanagem está na cabeça de quem lê e não no texto em si, percebe?

Vale dizer que o Kama Sutra não é um livro machista, pelo contrário: o feminino é respeitado como um valor a ser conquistado, física e espiritualmente. Ele é ensinado para as meninas indianas por suas mães e avós, no momento em que atingem a adolescência como uma forma sedutora de se comportar para obter um bom marido, etc. 

Enfim, o Kama Sutra, após séculos, continua sendo excitante. Fuja do senso comum (erotizado, preconceituoso, cheio de tabus) e conheça. É ler, aprender e praticar.

Links:



Não perca os extras deste artigo na fan page
do AGE no Facebook! Curta agora!

0 comentários: