BLADE RUNNER - A OBRA-PRIMA DE RIDLEY SCOTT QUE AINDA PODE SURPREENDER VOCÊ.

sexta-feira, maio 04, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


"Se você apenas pudesse ver o que eu já vi", diz o icônico e futuramente legendário personagem de Rutger Hauer para Harrison "Deckard" Ford em Blade Runner - O Caçador de Androides (1982). E a história do cinema foi reescrita outra vez.

Todo cinéfilo tem seu filme preferido de ficção-científica em uma lista relativamente curta de cinco exemplos. No momento em que o reboot de O Vingador do Futuro (Total Recall, 2012) prepara sua estréia cheia de efeitos especiais de última geração e Ridley Scott planeja uma continuação sem Harrison Ford, escrever sobre Blade Runner parece uma boa. E necessário.


Necessário porque Blade Runner foi o primeiro filme inspirado nos livros do escritor piradão Philip K. Dick (1928- 1982) e a estréia da estética do diretor Ridley Scott com sua técnica de fotografia esfumaçada/estourada. Afinal, ele só havia dirigido dois filmes naquela época: Alien, O Oitavo Passageiro (1979) e Os Duelistas (1977).

Existem milhares de fansites que falam dos bastidores, da mistura dos gêneros Science-Ficton e Noir, das brigas do diretor com o estúdio, das diferentes versões e muito mais (veja os links). Tudo isso é muita coisa e eu prefiro "falar" para quem nunca viu o filme ou torce um pouco o nariz para ficção-científica.

Blade Runner é uma parábola sobre a vida. Mais precisamente sobre a qualidade de vida e as escolhas que fazemos quando ela é curta. É o caso dos "Replicantes", humanos aperfeiçoados que possuem apenas 4 anos de existência e depois "desligam". Eles brigam por mais tempo e por sentido. Os olhos dos Replicantes apresentam um brilho opaco sob a luz que denúncia sua "raça". Simbolicamente, se os olhos são o espelho da Alma, tudo que pode ser visto (por eles) é um vazio existencial. Para os Replicantes, a vida é uma contagem regressiva e, como nós, eles querem mais.


O futuro no cinema sempre apresentou esse sinal de alerta, essa distopia (utopia negativa) alarmante que nos avisa "vocês estão no caminho errado". Em Blade Runner e na Los Angeles de 2029, o erro é prestar atenção demais ao não-humano e ao próprio umbigo. Os Replicantes foram criados para o trabalho escravo e os prazeres carnais da classe dominante. Temos aqui, a semente óbvia da revolta, esperando por um líder que surge na pele sintética e carisma filosófico de Roy Batty (Rutger Hauer, no melhor desempenho de sua carreira). Aliás, você nunca vai ver uma atuação melhor de Sean Young ou de Daryl Hannah (Kill Bill: Vol. 2, não vale) em nenhum outro filme. Isso inclui Harrison Ford, acredite.

Antes que você pense que este artigo é de apenas um fã babando, selecione qualquer filme de ficção atual que envolva inteligência artificial, robôs, etc e compare com Blade Runner em estética e conceito. Eu ajudo: Os Coletores (Miguel Sapochnik, 2010), Substitutos (Jonathan Mostow, 2009), Eu, Robô (Alex Proyas, 2004) e A.I. Inteligência Artificial (Steven Spielberg, 2001), só para citar alguns. Todos eles beberam na fonte de Ridley Scott em vários sentidos. E eu nem te contei sobre a historia de amor...



...E nem vou contar. Blade Runner deve ser assistido com uma certa dose de mistério para quem nunca viu. É legal sentir todo o questionamento da época sobre vida e morte, tecnologia e sentimento, regras e valores, tudo muito atual e ainda fruto de discussão nas redes sociais, filmes e literatura. Se possível, assista a versão original. Com Blade Runner, Ridley Scott conseguiu tudo o que os Replicantes desejavam: a imortalidade da lembrança. Bom filme para todos.





Vangelis e a trilha sonora que marcou época.




Links:

Leia o primeiro capítulo em português: http://bit.ly/IOrIH8


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