RETRATO DA LIDERANÇA - LUIZ EDUARDO NEVES LOUREIRO E OS LÍDERES DO FUTURO.

quarta-feira, março 07, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Na concorrida escalada para o sucesso profissional, não faltam cursos e mais cursos que prometem o Olimpo aos jovens em início de carreira. Sucesso, poder e status social sempre fazem parte do pacote. LUIZ EDUARDO NEVES LOUREIRO, 50 anos (completos esta semana) é diretor de Desenvolvimento Humano da 4winners, Líder Coach com Certificação Internacional de Coaching Integrado pelo ICI – Integrated Coching Institute e defensor de um conceito que anda em falta na gestão de muitas empresas: a humildade e o respeito pelo próximo. Luiz considera o ser humano o único e verdadeiro diferencial das organizações de sucesso.

Este e outros assuntos como sustentabilidade, formação profissional e respeito pelo colaborador é que o você confere na entrevista a seguir. Boa leitura. 

AGE: Bem-vindo ao AGE, Luiz. Os últimos 05 anos têm apresentado mudanças relevantes na forma como as empresas enxergam o talento humano para liderança. Quais são os novos critérios para o Líder o séc. XXI?

LUIZ: Há algum tempo a gestão de pessoas e processos vem sofrendo uma transformação muito acentuada e por isso mesmo bem perceptível. Isso se deve a vários fatores, entre eles destaco três: a entrada da geração Y no mercado de trabalho, avessa a regras rígidas e inquestionáveis; a grande disputa por profissionais de alta performance que, em sua maioria, priorizam o bom ambiente de trabalho e a possibilidade de desenvolvimento pessoal e profissional em detrimento de remuneração e estabilidade; e o aumento da participação do setor de serviços na economia, dando início ao que é conhecido como "era do conhecimento". 

O "comando e controle", estilo de gestão tradicional da indústria de transformação, tem dado lugar a um estilo muito mais participativo, de delegação e autonomia. Os benefícios são inúmeros mas destaco a maior probabilidade de se desenvolver novos líderes com o mesmo tipo de pensamento, consolidando o processo de mudança que já está muito adiantado.

O Líder do Século XXI tem que ter um profundo respeito e apreço pelas pessoas, se envolvendo pessoal e verdadeiramente no desenvolvimento delas. Fora dos muros da empresa, o respeito deve ser estendido a clientes, fornecedores e comunidade. Só assim os resultados financeiros - que são imprescindíveis - serão legitimados e ele poderá ser considerado um líder de fato. 

A: Desemprego recorde na Europa, demissões em massa nos altos escalões das empresas, instabilidade governamental na América Latina. Estamos ficando sem líderes?

L: O que está acontecendo é a derrocada de um sistema imediatista, centrado no máximo lucro e no crescimento desordenado para, através do ganho de escala, buscar garantir market share e a continuidade do processo.

Os verdadeiros líderes, aqueles mencionados acima, obviamente também sofrem com a crise, mas suas ações são pautadas por valores muito mais nobres, eles conseguem coordenar as ações táticas de curto prazo com a visão estratégica de longo prazo. Além disso, no melhor estilo "Líder Coach", eles sabem transmitir seus valores e visão para as equipes e com isso conseguem muito mais engajamento, produtividade e sustentabilidade nos resultados.

Então, estamos ficando sem gestores e isso é bom. Os verdadeiros líderes nos ajudarão a sair dessa.

A: O conceito de "Rei" vem da ideia de um líder que serve ao seu povo em primeiro lugar. Cabe ao Rei, a prosperidade do seu país e daqueles sob o seu comando. Você acredita que a liderança moderna esqueceu este princípio básico de gestão?

L: Correndo o risco de "pecar" pela generalização eu acho que os governantes erram justamente por não se desapegarem do conceito de Rei. Sabe-se que existem dois tipos de exercício da liderança, a liderança pelo poder - os "Reis" - e a liderança pela autoridade, nesse segundo tipo a liderança se dá pelo reconhecimento da capacidade e das intenções do líder de forma inquestionável e motivadora por parte dos seguidores. É uma liderança que não gera dependência e se baseia na elevação da auto-estima e da confiança de todos os os envolvidos.

Jim Collins, no livro Empresas Feitas para Vencer descreve o líder ideal, chamado por ele de Líder Nível 5, como alguém que ..."alia extrema humildade pessoal a uma firme vontade profissional". E humildade não costuma ser uma virtude dos Reis.


A: No contexto do "Novo Capitalismo", os jovens são abordados pelas técnicas de formação empresarial para se transformarem em líderes natos, sempre vencedores. Em um mundo formado apenas por líderes, quem seguiria quem?

L: Não concordo com a necessidade de, obrigatoriamente, existir líderes e seguidores. Nas instituições mais avançadas em gestão, o conceito de "equipes de alta performance" tem ganhado cada vez mais espaço. Defino equipes de alta performance como grupos multifuncionais ou multidisciplinares que entregam mais que o resultado formal da empresa, de maneira contumaz em um ambiente de satisfação e desenvolvimento. Parece utópico, mas é isso que os jovens estão buscando e os executivos inteligentes estão proporcionando a essa geração.

Nesse ambiente o líder hierárquico ainda existe para cumprir formalidades e assumir a responsabilidade final sobre o processo, mas ela não está preocupado em ser seguido, a liderança roda entre os membros da equipe dependendo da expertise técnica ou comportamental exigida a cada momento. Um exemplo maravilhoso disso está no filme Apollo 13, e olhem que não se trata, absolutamente, de um filme novo.

A: Para terminar, quais seriam os valores necessários para se atingir a liderança no mundo contemporâneo?


L: Atualmente não dá para falar em liderança sem levarmos em conta a sustentabilidade no sentido mais amplo do termo. Os valores pessoais devem ser totalmente congruentes aos objetivos profissionais, eles devem agregar valor para si e para todos que você possa atingir com suas ações e devem ser pautados pela simplicidade, quanto mais simples melhor.

Eu diria que respeito às pessoas e ao meio ambiente; ética na condução dos negócios; coragem para questionar sistemas obsoletos; e vontade para continuar aprendendo e evoluindo sempre. Estes são alguns dos valores presentes na maioria dos grande líderes que têm mudado o mundo sem nunca terem pensado nisso como objetivo final. 

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Sempre pedimos o nome de pelo menos 3 livros que ajudaram na formação profissional, ética e moral dos entrevistados e que podem servir de referência aos leitores do AGE. Veja o que o Luiz selecionou:

1) Good to great - Empresas Feitas para Vencer - Autor Jim Collins.
Nesse livro, Collins apresenta as conclusões de uma ampla pesquisa feita com empresas bem sucedidas e o estilo de liderança prevalente no grupo pesquisado. Liderança Nível 5; Primeiro Quem Depois o Quê; e o Conceito do Porco Espinho são algumas das teorias imperdíveis para quem quer se aprofundar no tema Liderança.

2) Coaching - O Exercício da Liderança - Organizado por Mashall Goldsmith.
Considero a Bíblia dos Coaches. Uma grande coletânea de artigos escrito por especialistas trazendo teoria e técnica sobre o desenvolvimento de pessoas, de equipes e de lideranças. Recomendo para todos que lideram uma equipe ou se interessam por orientação de carreira. 

3) Presença - Propósito Humano e o Campo do Futuro - Autores Peter Senge, C. Otto Scharmer e Joseph Jaworski.
Mudança e aprendizado são os temas centrais desse livro. Os autores contam suas longas horas de conversas sobre o papel do homem nas mudanças que estão acontecendo e como os conhecimentos técnicos/científicos se fundem com a sabedoria popular na criação de uma nova e melhor maneira de habitarmos esse mundo.
Apollo 13: exemplo de liderança e gestão de pessoas durante uma crise.

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