Escrito para o Cinema - Contra o Tempo e Os Agentes do Destino - Livre-arbítrio e Liberdade em dois filmes surpreendentes por Marcos H.

quinta-feira, junho 09, 2011 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

Pode esquecer as aguardadas estreias de Capitão América e Lanterna Verde, filmes de entretenimento como Thor (que, francamente, é bem normalzinho): Contra o Tempo (Source Code, 2011 do diretor Duncan Jones, filho de David Bowie) e Os Agentes do Destino (Adjustment Bureau, 2011 do estreante George Nolfi) são as duas grandes escolhas para ir ao cinema neste momento.

Para começar, são filmes adultos e modernos que guardam algo em comum: a questão da liberdade de fazer escolhas e o livre-arbítrio. Jake Gyllenhaal (Amor & Outras Drogas) e Matt Damon (Trilogia Bourne) precisam lutar contra acontecimentos, aparentemente inevitáveis para conquistar seus objetivos pessoais (assista os trailers).

Liberdade e livre-arbítrio são conceitos utópicos e mesmo filosóficos para muitas pessoas. A ideia de ser realmente livre e dono do próprio destino é incompatível com a Física, por exemplo. Ao fazer uma escolha, você automaticamente está preso a ela. Suas decisões não são totalmente livres porque se baseiam em uma série de escolhas prévias. Sem falar, na sua origem, família, educação e grupo social. A conclusão óbvia é que não somos inteiramente livres.

Contra o Tempo é sutilmente mais interessante do que Os Agentes do Destino porque usa as leis da Física Quântica como argumento para enviar o personagem 8 minutos no passado (que na horizontal é o símbolo do Infinito), à bordo de um trem com uma bomba. Pode ser de difícil entendimento se você faltou na aula que explica partículas, frequências de onda e viagem no tempo. Não ligue pra isso. O importante é a tomada de decisão, o que move o herói da trama.

Os Agentes do Destino está sendo chamado de "ficção-romântica" e você vai ouvir muitas críticas negativas sobre o filme. O maior motivo é porque ele foi adaptado do fabuloso autor de ficção cientifica Philip Kindred Dick (1928-1982) que escreveu seus 36 romances sob o efeito de drogas, sendo Blade Runner - O Caçador de Andróides (1983 de Ridley Scott com Harrison Ford) o mais conhecido. Alguns críticos e nerds "puristas", detestaram o enredo romântico. Novamente, esqueça o roteiro (que possui até alguns ganchos metafísicos e religiosos para discussão) e concentre-se na proposta.

E qual é a proposta, afinal?

Com exceção de A Origem (Inception, 2010 de Christopher Nolan com Leonardo DiCaprio), o cinema de ficção andava bem carente de filmes mais densos. Hoje, ideias como viagem no tempo e portais tridimensionais são discutidas de forma séria. É o caso do Ph.D em física quântica Amit Goswami que busca a conciliação da ciência com a espiritualidade e os recentes avanços em nano-tecnologia (veja o link). Neste sentido, Contra o Tempo e Os Agentes do Destino são exemplos do gênero ficção que não se situam tão longe assim da realidade e fazem pensar.

Minha dica é a seguinte: assista os dois de uma vez,  saia com a sua turma para um barzinho e divirta-se imaginando o que você faria. As possibilidades são infinitas. Até mais!
Amit Goswami e suas possibilidades quânticas:
Fontes:
Nano-robô feito com DNA indica futuro da medicina


Sobre o Autor:
Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve

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