AD HAPPY - A FELICIDADE QUE SE COMPRA.

quarta-feira, novembro 13, 2013 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


"A filosofia do contente é uma armadilha de consumo. A existência tem amplitude, que inclue: medos, perdas, dores." - Contardo Calligaris, psicanalista

"A nossa felicidade depende mais do que temos nas nossas cabeças, do que nos nossos bolsos." - Arthur Schopenhauer, filósofo alemão

Como se não bastasse essa onda terrível de colocar humor em qualquer campanha publicitária atual (todo comercial precisa ter uma piadinha pronta), chegamos ao momento supremo do ego-marketing, dizendo para as pessoas "como" elas devem ser felizes. Não que isso seja uma novidade: fazer a cabeça do consumidor é parte essencial para venda. E quanto mais "feliz" ele estiver com isso, melhor.

O American Way of Life tornou-se um modelo inconsciente a ser conquistado pelo mundo e não apenas pelos americanos (que, pra falar a verdade, também já perderam o próprio caminho). Porém, a ideia do Capitalismo Selvagem não combina muito bem com as outras práticas sociais vigentes como o consumo sustentável, uma vida mais simples e o comportamento politicamente correto (uma distorção de conduta "do Bem"). Rapidamente, as enormes cabeças criativas encontraram uma resposta para o dilema: juntar os valores intangíveis (amor, felicidade, segurança, etc) das pessoas com aquele produto bem tangível que você pode tocar e comprar. Algo entre Adam Smith e Abraham Maslow.



A confortável fórmula de consumir sem culpa pode ser muito bem representada pelos comerciais abaixo:



"A alegria não está nas coisas, está em nós." - Johann Goethe, escritor

Sem hipocrisia, é preciso reconhecer a qualidade da propaganda atual. Ao mascarar genialmente a mensagem subliminar com poesia motivacional, cantores famosos e cenas tão clichês quanto uma criança beijando um cachorro, a publicidade conquistou mais um degrau para superar a crise criativa que atravessa, pelo menos, há uns 10 anos.

Mas...e dai? Qual o problema com os ad-happies? Todo mundo gosta de felicidade e uma mensagem positiva, certo? Sinceramente, não sei. Talvez eu tenha me influenciado muito pelas ideias do sociólogo polonês Zygmunt Bauman:

"Um dos efeitos de manter a busca da felicidade atrelada ao consumo de mercadorias é tornar essa busca interminável e a felicidade sempre inalcançada. Se não se pode chegar a um estado de felicidade duradouro, então a solução é continuar comprando, com a esperança de que a próxima linha de produtos superfáceis de usar ou a nova tendência outono-inverno redima os incansáveis buscadores de felicidade. A grande cartada dos mercados foi transformar o sonho da felicidade de uma vida plena e satisfatória em uma busca incessante de “meios” para se chegar a isso. Os principais meios para atingir uma vida feliz são mercadorias, mas não apenas objetos que servem ao consumo. Quem busca uma marca, uma grife, um logo, deseja o reconhecimento que isso irá lhe proporcionar perante os outros." -  O pensamento crítico de Zygmunt Bauman por Tiago de Oliveira Fragoso (artigo completo aqui)


Como este artigo está na seção dedicada aos profissionais da propaganda e marketing, preciso reforçar (principalmente aos estudantes e universitários) que estes atuais modelos e fórmulas prontas (humor+felicidade=vendas) não representam o melhor da criatividade, longe disso. E, pensar assim, pode se tornar um perigo em potencial para sua carreira como criativo. 

Assim como a felicidade, a criatividade é (e precisa ser) mais que tudo isso. Até a próxima.

"No passado, penso logo existo.
  No presente, nem penso logo consumo.
  No futuro penso, por quê?"
                                               Anita Prado

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