CACHIMBO DA PAZ - GABRIEL, O PENSADOR E A FUMAÇA DA REFLEXÃO.

terça-feira, junho 19, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Você pode pensar que a seção "Você Nunca Ouviu" é apenas sobre músicas inéditas e raridades sonoras. Não é. Algumas vezes temos que escutar para ouvir, ação cada vez mais difícil na atualidade. É por isso que, de  vez em quando, o AGE publica letras de música que fazem sentido e passam mensagens de conteúdo realmente interessante. Tá difícil...

Mas, eis que surge das cinzas, minha amiga virtual Mônica Miranda com um artigo bem legal sobre o Gabriel, O Pensador e seu "Cachimbo da Paz". Mônica escreve de forma bem pessoal e juvenil com aquele toque de conversa entre amigos. Leiam, ouçam e escutem que vale a pena. Até a próxima.

Na busca da maresia por Mônica Miranda

Estava eu revirando o acervo de músicas que carrego no meu baú (carinhosamente chamado de computador) e comecei a ouvir algumas músicas do Gabriel, o Pensador, que por sinal anda sumido. Se alguém encontrar com ele por aí, mandem um beijo meu e minha total admiração porque o cara é f* e escreve muito. 

Como ia dizendo, comecei a ouvir as músicas que há anos não ouvia. E percebi que novinha do jeito que eu era, cantava as letras sem entender muito bem o que queria dizer. Até que a minha ficha começou a cair com “Cachimbo da paz”:



Pra começar, quando ouvia a música há uns 13, 14 anos atrás achava que quem fumava cachimbo era avô, pajé ou o Popeye e não índio. A música foi rolando e eu comecei a perceber que aquele negócio de sentir a maresia ia além de tribo, cacique e dança da chuva. 

E então quando chegou a parte que ele cita acidentes com bebidas e termina dizendo “com tantas drogas porque só o seu cachimbo é proibido?”. Bingo! Entendi o que ele estava falando.

E o refrão? Intermináveis maresias, puxões e passadas. Falava tudo sem dizer nada. Só os bons entendedores de plantão captavam aquela mensagem. Ou não, só adultos, vividos, entendidos e não as crianças inocentes e serelepes como eu. Aham!

Parabéns, Pensador. Passou o recado a quem deveria recebê-lo.

Não estou dizendo que concordo com o que ele fala, mas sim do jeito que fala. A capacidade de transformar esse assunto em poesia, em música e de uma forma totalmente metafórica é demais.  E ainda com toda sutileza, disfarce e ao mesmo tempo consistente e sólido é incrível. Tiro o chapéu e seguro a chapinha pra ele!

Cadê tu?  Volta com um caderninho de anotações, com o seu ritmo e bom-humor. Vem fazer daqui a melhor maresia!

Mas Gabriel o Pensador a parte, é excitante quando alguma música é solta e diz coisas subentendidas. A metáfora é na verdade, um dom. Camuflar situações, ações, casos e acasos e transformar em poesia é lindo.

O mistério é lindo. Ao mesmo tempo em que é escuro, suas mensagens são como vagalumes ou lamparinas que nos ajuda a enxergar a real. É abrir os olhos e escutar com o coração.

É na verdade, a verdade que muitos querem saber, mas poucos têm a capacidade e a sensibilidade de compreender.

Parece que ao desvendar finalmente a real não só de “Cachimbo da Paz”, mas também “3ª do plural” e tantas outras de Engenheiros do Hawai e mais uma coleção de Legião Urbana, nos libertamos. A cabeça abre e ficamos com aquilo martelando durante um tempo, não apenas pela melodia, mas principalmente pela mensagem.

E música em minha opinião é isso. É a mensagem, é o amor, a revolta, é a busca de um socorro, o alívio, é o sentimento.

Por isso que quando estamos felizes, dançamos e cantamos. Por isso que quando estamos tristes, às vezes é preciso ouvir uma fossa para embalar o sofrimento, por mais doloroso que seja. Mas é no embalo que a gente se liberta, vive e curte. 

Leia a letra completa: http://letras.mus.br/gabriel-pensador/46096/

Mônica Miranda,24 é redatora e apaixonada por literatura, histórias e palavras. Tem como sonhos garimpar o mundo inteiro e escrever um livro. http://twitter.com/MonicaCSM


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