CARNAGE - ROMAN POLANSKI E O MASSACRE DO PATERNALISMO MODERNO.

quarta-feira, abril 11, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Vários sinais apontam para um esgotamento do modelo social contemporâneo. Enquanto sociedade, já fomos agrários e simples, guerreiros e conquistadores, passivos e temerosos. Hoje, convivemos entre uma postura politicamente correta, diplomática e a crítica superficial de ataque ao sistema vigente. Em resumo, estamos na transição entre o que temos, queremos ter e o que precisamos fazer para. 

Em O Deus da Carnificina (Carnage, 2011), uma briga entre duas crianças joga o telespectador dentro de uma jaula de leões (e leoas). Jodie Foster, Kate Winslet, Christoph Waltz e John C. Reilly (todos excelentes) sãos os pais que discutem por seus respectivos filhos sob o comando do diretor Roman Polanski. O filme é uma adaptação da peça "Le Dieu du carnage" com roteiro da própria autor francesa, Yasmina Reza. Temos então, duas críticas prontas: sobre o American Way of Life e o datado modelo da arrogante aristocracia francesa. Sem falar que Winslet é inglesa. Sentiu o simbolismo dos "três poderes"?

Tudo isso é um prato cheio para Polanski que é polonês, reside em Paris e está proibido de entrar nos E.U.A. desde os anos 70 por causa de uma comprovada acusação de estupro de uma menor de 13 anos (ele tinha 43).


Carnage é sobre aparência. Sobre como esconder a sua pessoa (aquela verdadeira) sob a máscara dos bons modos, das roupas de grife, livros de arte e atitudes de chá das cinco. Christoph Waltz faz o meu personagem preferido, um cínico relações-públicas para uma empresa farmacêutica que não sai do telefone. Carnage é basicamente um peça encenada onde as coisas vão acontecendo num crescente desconforto situacional até que todos chutam o pau da barraca. E todos estão lá: seu chefe, marido, esposa, amigo, namorada e, não se engane, eu e você também.

  
Filmes que retratam uma sociedade confusa e hipócrita em relação aos próprios valores que ajudou a construir, não são novidade. O legal em Carnage, não é apenas assistir o circo pegar fogo, mas refletir sobre os motivos (neste caso, os filhos). A cena de abertura e o encerramento sintonizam o momento atual: perdemos completamente o rumo sobre qual educação dar aos nossos filhos e como assimilamos a cultura oferecida pelo pai-estado-sociedade. 

Entre o conformismo de um emprego medíocre pela sobrevivência e a fuga dos sentimentos através de uma "causa nobre", Carnage deixa explícito que como adultos, ainda devemos crescer muito como seres humanos. Será que vai dar tempo?



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