A QUEDA DO PODEROSO CHEFINHO - A BATALHA POR NOVOS MODELOS DE LIDERANÇA E GESTÃO.

quinta-feira, março 15, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


A expressão "é muito cacique para pouco índio" parece sintetizar o momento atual de muitas empresas. Uma avassaladora onda de cortes decorrentes da última grande crise mundial (o tal downsizing que, em bom português, significa achatamento), coloca em cheque a antiquada imagem do chefe todo-poderoso e manda-chuva. Na verdade, muitos estão tirando o cavalinho do molhado e mandando bem menos. Pelo menos, na teoria. 

"À medida que nós avançamos e nos aprofundamos na economia do conhecimento, os pressupostos básicos de boa parte do que se ensina e se pratica em nome da administração vão ficando totalmente desatualizados. 

(...) A maioria de nossos pressupostos relativos às empresas, à tecnologia e à organização data de pelo menos 50 anos. Eles já perderam sua atualidade. Em conseqüência, estamos pregando, ensinando e praticando políticas que destoam cada vez mais da realidade e que, por isso mesmo, são contraproducentes." - Peter Drucker - Os Novos Paradigmas da Administração

Infelizmente, a grande maioria dos empresários "não tem tempo para teorias" e continuam liderando e administrando como seus ancestrais, Senhores de Engenho. A mídia também não ajuda. Programas televisivos demonstram "empresários de sucesso" atacando agressivamente falhas de seus jovens subordinados como uma atitude necessária para liderança. Cursos incentivam a linha dura para conquista do cargo pretendido (o que inclui a humilhação total do adversário). Existem toda uma literatura voltada para realização a qualquer custo em troca de um salário "de vencedor". 

A palavra chefe vem do francês chef, (do  latim caput, "cabeça", "líder"). Nas tribos indígenas, o Chefe é o guerreiro mais corajoso, mas também o mais justo. Sua liderança vem da conquista da lealdade de seus companheiros, do resultado nas batalhas e do mesmo aprendizado adquirido nos conflitos, junto aos outros índios. É um exemplo de liderança pelo reconhecimento.

No mundo contemporâneo, o chefe é um sujeito  mais temido do que respeitado e mais odiado do que amado. Não existe um modelo de avaliação, um  "chefe do mês" como é feito com um colaborador. Seria interessante pensar que qualquer pessoa em um cargo de liderança também necessita de um pouco de reconhecimento humano de sua equipe. Isso se ele já não for um arrogante presunçoso. Aí não tem jeito.

"O discurso libertário criou mofo faz tempo nas bibliotecas corporativas, mas o modelo autoritário de liderança dá sinais reais de esgotamento e algo novo começa, finalmente, a ser erguido em seu lugar." - Como se tornar um líder do século 21 - Alexandre Teixeira, site Época Negócios

O tiro no pé pela busca de um novo formato de liderança e do próprio papel de líder está em ter que conciliar os contrastes. Parece que todo mundo quer ser empreendedor, inovador e o diabo a quatro. A capacidade de servir ao cargo foi envenenada pela competitividade desenfreada das empresas que discursam a cooperação entre as equipes e, ao mesmo tempo, alimentam a imagem do chefe implacável. Meio "Bipolar", não é mesmo?

Mark Zuckerburg (você sabe quem é) seria o melhor exemplo para ilustrar essa confusão. Sua ascensão, relativamente rápida, representa um modelo desejado pela nova geração e até mesmo pelos mais velhos:

"Os mais velhos veem Zuckerberg como uma figura trágica que termina o filme menor do que era no começo; os jovens enxergam alguém que fez o que era preciso para proteger e levar adiante a sua criação." - Qual o verdadeiro Mark Zuckerberg?, Bruno Galo - site IstoÉ Dinheiro 

Sinceramente, não acredito que exista bola de cristal capaz de prever o "novo chefe". Zuckerburg e outros parecem incorporar os dois modelos de regime, apertando ou afrouxando a corda em momentos determinados. A palavra "regime" pode ser usada de diversas maneiras: como forma de administrar uma equipe (regimento), conduzir um país (modelo político) ou reorganizar o equilíbrio de um organismo (dieta). Qual seria o seu?

Em uma pesquisa para o livro "O Desafio da Liderança", Jim Kouzes e Barry Posner, perguntaram para  milhares de profissionais sobre as qualidades que desejam em seus líderes. O atributo visionário só perdeu para honesto que foi selecionado por 72% dos entrevistados.

Fica difícil ser visionário aqui no Brasil, já que metade dos brasileiros tem um carga horária que chega a onze horas por dia. E nem vou tocar na questão da honestidade por motivos óbvios.

Um bom exemplo para o chefe do futuro vem do passado, na frase da rainha Catalina II de Rusia (1729-1796) que vou usar para encerrar este artigo. Leia e reflita. Até a próxima.
 
 "Eu elogio em voz alta; eu censuro baixinho."







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