OS CONTOS DE ANDERSEN - O CRIADOR DAS MAIORES HISTÓRIAS INFANTIS DE TODOS OS TEMPOS.

segunda-feira, março 19, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Antes de falar de Hans Christian Andersen (1805-1875), precisamos de uma pequena linha do tempo para que você entenda a importância do criador do O Patinho Feio, O Soldadinho de Chumbo, A Pequena Sereia, A Roupa Nova do Rei, A Polegarzinha e muitos outros:

Irmãos Grimm (1785- 1863) - começam a publicar contos reunidos da tradição oral a partir de 1807. Entre eles temos Branca de Neve, Cinderela, João e Maria, O Flautista de Hamelin, Rapunzel, Chapeuzinho Vermelho, A Bela Adormecida e Rumpelstiltskin;
Hans Christian Andersen (1805-1875) - Após livros com outros assuntos, reuniu contos populares e publicou entre 1835 e 1872;
Charles Lutwidge Dodgson (1832-1898) - mais conhecido pelo seu pseudônimo, Lewis Carroll, lançou Alice no País das Maravilhas a 4 de julho de 1865;
James Matthew Barrie (1860 - 1937) - autor de Peter Pan, personagem secundário do livro The Little White Bird (1907) que ganha sua própria história no romance Peter e Wendy em 1911;
José Bento Renato Monteiro Lobato (1882-1948) - autor de Reinações de Narizinho (1931), Caçadas de Pedrinho (1933) e O Picapau Amarelo (1939);
Walter 'Elias' Disney (1901 - 1966) - criador do Mickey Mouse e responsável pela adaptação para o cinema de vários contos infantis.

Veja só, neste pequeno Arco do Tempo, encontramos praticamente todo o universo dos Contos de Fadas dos últimos 300 anos. Não me esqueci de As Viagens de Gulliver (1726, Jonathan Swift), A Ilha do Tesouro (1883, Robert Louis Stevenson) e a trilogia de Tom Sawyer de Mark Twain (1835-1910).

Na verdade, escrever sobre Andersen foi a minha isca para te mostrar o quanto é relevante ler e reler as histórias infantis. Mais importante ainda, é apresentar estas histórias para seus filhos, sobrinhos e netos moderninhos.

De certa forma, sinto um pouco de tristeza pela nova geração de crianças que nunca serão apresentadas aos Contos de Fadas, Fábulas e histórias infantis no seu contexto original. A qualidade dos filmes da Disney não diminuem o fato de que é um produto reciclado, reduzido e, por muitas vezes, alterado no seu conteúdo literário. Perde-se o simbolismo, perde-se a ingenuidade e perde-se a Magia.

"Outra função importante dos contos de fadas é a de resgatar o “tempo da alma”, pois a vida infantil precisa cumprir cada etapa do seu desenvolvimento para que uma estrutura psíquica equilibrada possa ser elaborada. A alma tem um tempo próprio, característico, ainda ditado pelos ritmos da natureza, que não costuma ter pressa. O “tempo da alma” é que regula o passo das fases do amadurecimento humano, em oposição à ansiedade e acúmulo de demandas, cobranças e pressões de toda sorte que a sociedade moderna exerce sobre os indivíduos, mesmo sobre as crianças." - Mariuza Pregnolato 

Duas novas versões de A Branca de Neve para o Cinema ( 'Mirror, Mirror' com Julia Roberts e 'Branca de Neve e o Caçador' com  Kristen Stewart e Charlize Theron), mais as novas séries Once Upon A Time e Grimm demonstram o interesse atual por um resgate da imaginação. Pena que o interesse seja meramente financeiro.

O educador e filósofo francês Luc Ferry falou recentemente sobre o valor de contar histórias e contos para crianças, antes de dormir. O Patinho Feio de Andersen fala de preconceito, assim como a Gata Borralheira. A Bela Adormecida retrata inveja, Peter Pan, a difícil passagem da criança para o adulto e por aí vai.

Morte, cobiça, sexo, violência, pobreza e todos os males do mundo estão bem representados em qualquer uma destas obras. Ou seja: tudo aquilo que você deseja esconder de uma criança. Aí que está o seu erro. Sabe quem errou assim também? O Rei Suddhodana, pai de Siddharta Gautama, que viria ser o Buda Shakyamuni:

"Foi profetizado que Siddharta se tornaria um grande girador de roda (chakravartin) ou monarca universal. No entanto, se ele visse quatro sinais, um homem velho, um homem doente, um cadáver e um monge, ele se tornaria um grande sábio. Após ouvir isto, Suddhodana tentou manter Siddharta protegido do mundo exterior, tal que ele nunca viesse a ver os quatro sinais, tornando-se então um poderoso governante. Todavia, o seu plano não funcionou e Siddharta tornou-se um sábio, deixando uma vida de luxúria no palácio para uma humilde viagem na busca da verdade." - Muccamargo

Ao entrar em contato com a Mitologia dos Contos de Fadas, educamos e somos educados para entender vícios e valores universais e permanentes na vida de cada ser humano (a depender das escolhas de cada um). Os Contos de Fadas são ótimas ferramentas para apresentar a dualidade do Bem e do Mal no mundo moderno, seja para crianças ou para adultos. Disney, a televisão ou o computador não podem fazer isso, mas você pode. Basta começar a contar histórias.

Espero que este artigo tenha fornecido material suficiente para que você possa encontrar um pouco mais de Magia na leitura. Como disse aquele menino que não queria crescer:

"Então venha comigo, onde nascem os sonhos, e o tempo nunca é planejado. Basta pensar em coisas alegres, e seu coração vai voar nas asas, para sempre, na Terra do Nunca!".


Saiba mais: O Jovem Andersen (2005)














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