PRECISA-SE - UM MUNDO LOTADO DE VAGAS E PESSOAS.

terça-feira, março 04, 2014 Marcos H. de Oliveira 4 Comments


Os números variam, sobem e descem, mas o que se sabe no momento é que emprego e desemprego travam uma batalha desigual no Mundo todo. Desigual para quem busca e para quem contrata. De um lado, profissionais recém-formados, mas sem experiência. Do outro, vagas não preenchidas porque "precisa-se de profissional experiente e capacitado, favor mandar portfólio". Vivemos em um mundo "precisado".

O novo paradigma do emprego é superar a necessidade da vitória. Como assim? Todo o Marketing investido na capacitação pessoal nestes últimos cinco anos, depositou uma carga extra no formação da carreira de qualquer candidato a uma vaga de emprego. A pressão pelo "líder" e aquele que sempre vence, o "super-estrategista" e outras qualificações adjetivas (que ajudam a vender livros de autoformação empresarial), desenvolveram uma mentalidade coletiva onde ninguém pode falhar. E este é o primeiro erro.


Empresários de sucesso transformaram-se em figurinhas "pop" que rebaixam e humilham o ato falho de jovens aprendizes e cultuam o profissionalismo como se fosse uma receita pronta. Se errar é humano, então um grande empresário deve ser algo mais do que uma gravata cara e gel no cabelo. O princípio básico do aprendizado, o ensinar, foi demitido da apertada agenda em direção ao status almejado em qualquer profissão. E agora?

Agora você precisa refletir. Empregado ou não, a vigente crise mundial pede um tempo de reflexão. Outro nome que eu havia pensado para  este artigo era "Emprego, Trabalho, Carreira: qual a diferença?" A origem da palavra "trabalho" vem de um antigo instrumento de tortura, o Tripalium:

Tripalium era um instrumento feito de três paus aguçados, algumas vezes ainda munidos de pontas de ferro, no qual os agricultores bateriam o trigo, as espigas de milho, para rasgá-los, esfiapá-los. A maioria dos dicionários, contudo, registra tripalium apenas como instrumento de tortura, o que teria sido originalmente, ou se tornado depois.

Tripalium (do latim tardio "tri" (três) e "palus" (pau) - literalmente, "três paus") é um instrumento romano de tortura, uma espécie de tripé formado por três estacas cravadas no chão na forma de uma pirâmide, no qual eram supliciados os escravos. Daí derivou-se o verbo do latim vulgar tripaliare (ou trepaliare), que significava, inicialmente, torturar alguém no tripalium.

É comumente aceito, na comunidade linguística, que esses termos vieram a dar origem, no português, às palavras "trabalho" e "trabalhar", embora no sentido original o "trabalhador" seria um carrasco, e não a "vítima", como hoje em dia - Wikipédia

Em suma, o trabalho funciona como o velho sistema de escambo: você troca o seu tempo por dinheiro (salário). A satisfação pessoal seria um bônus (não está no contrato). Grande parte da população vive de "trabalhos". Ele é a base de qualquer sistema onde existe a produção de mercadorias comercializáveis. 


No dicionário Houaiss, a palavra emprego é regressivo de empregar (enlaçar, entrelaçar; embaraçar, impedir; juntar, unir; misturar, confundir; enviar, mandar). Novamente, nada de aprendizado aqui: você continua fazendo parte de um sistema comercial que "emprega" sua força de "trabalho" como um elo da corrente. E a carreira?

Carreira vem do latim, carraria, que é o mesmo que correria. Com vários usos distintos, o que importa para nós é esse:

Profissão, ou seqüência de etapas de uma profissão, de uma atividade; o tempo que dura a vida, sua duração.

Acredito que você já entendeu. trabalhar é uma necessidade de caráter financeiro e de sobrevivência, mas não é carreira. Um emprego é um caminho para usar (empregar) qualquer conhecimento adquirido mas, novamente, não implica uma carreira. Sem um projeto de carreira (que possui etapas de desenvolvimento), a pessoa só pula de um "emprego" para outro "trabalho". E isso pode durar a vida toda. Qual é a sua escolha?


Caminhamos para um "novo capitalismo" onde a força de trabalho, a competência e o profissionalismo vão passar por uma mutação. Se você tem entre 18 e 38 anos, é legal ficar atento. Reavaliar seus "heroís" de liderança e profissionalismo pode ser uma boa ideia. Buscar cursos gratuitos e on-line, também pode fazer diferença na hora de uma contratação. Uma frase que resume tudo isso: empregue suas melhores habilidades éticas (e não apenas técnicas) para trabalhar pela sua carreira.


E se você for um jovem empreendedor, empresário ou gerente, vale lembrar que a mudança começa por você mesmo, oferecendo a chance de empregabilidade, de aprendizado e aperfeiçoamento para outros. Tudo isso envolve riscos, erro e acerto dos dois lados. O resultado? Olhe o vídeo abaixo e boa sorte 

Um exemplo de "ciclo virtuoso": o que o mundo mais precisa no momento.


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4 comentários:

Nádia Sarmento disse...

Temos um mundo de opções e total liberdade pra escolher entre elas, podemos escolher nossas atitudes, os exemplos a serem seguidos, o caminho a ser tomado, podemos avançar ou recuar. Mas toda ação gera uma reação, e todo efeito tem uma causa. E essa reação ou efeito são a colheita, e colhemos de acordo com o plantio que é nossa ação e portanto a causa desta colheita.
Lembre-se sempre:

"O plantio é opcional, mas a colheita é obrigatória. Por isso, tenha cuidado com o que planta!"
Se as pessoas lembrassem disso o mundo sería muito melhor.

Anotado e publicado, Nádia!

Sher Merchant disse...

(...) "novo capitalismo" onde a força de trabalho, a competência e o profissionalismo vão passar por uma mutação.

Por gentileza, poderia desenvolver melhor esta ideia ou conceito?

Obrigada.

Agradeço sua presença no blog, Sher :)

Você pode encontrar um bom artigo sobre Novo Capitalismo aqui:
http://www.fumec.br/revistas/index.php/pretexto/article/view/1260/0

Um resumo:

"Com o título de “A Grande Ideia”, Porter & Kramer lançaram a Criação de Valor Compartilhado (CVC)em 2011. Um dos pressupostos desta ideia diz que a humanidade está passando para um novo capitalismo, o Capitalismo do Valor Compartilhado.

Desta forma, o presente trabalho agrega os conceitos de Drucker (1993) de Sociedade Pós-Capitalista para fundamentar, o que se considera
ser um período especialmente importante, pelo qual a humanidade passa atualmente. Para tanto, este
artigo visualiza a Responsabilidade Social Empresarial (RSE) e a Criação de Valor Compartilhado (CVC) como promotoras desta nova
sociedade (...)"

A proposta é que ocorra uma evolução no pensamento de adquirir lucro pelo lucro e ele passe a ser o resultado esperado por ações de caráter mais humanitário, com foco na prosperidade de todos e não apenas de algumas empresas.

Acredito que ainda temos um longo caminho(rs)mas, pelo menos, já existe esse caminho. E todos podem ajudar para que este ciclo virtuoso aconteça (como no vídeo postado).

Espero que continue curtindo o blog. Sorte, saúde e prosperidade!