O CONDE DE MONTE CRISTO - REDENÇÃO E VINGANÇA NO ROMANCE DE ALEXANDRE DUMAS.

segunda-feira, janeiro 30, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

Em literatura, não admito sistema, não sigo escola, não desfraldo bandeiras: entreter e magnetizar, estas são minhas únicas regras. - Alexandre Dumas

Vou te contar, Alexandre Dumas (1802-1870) é o cara. Isso mesmo: é o cara porque todas a suas obras (sendo Os Três Mosqueteiros, 1844 e O Conde de Monte Cristo, as mais conhecidas) não envelhecem, não se perdem no tempo e nas distrações da modernidade tecnológica. É preciso ter a coragem de um espadachim ou a determinação de quem busca para encarar as mais de 400 páginas desta obra-prima. E vale a pena.

Você sabe que um romance é chamado de "novel" na língua estrangeira. Para o brasileiro isso lembra "novela" e ganha um sentido estranho e meio distante da literatura. Existe até uma discussão acadêmica sobre isso. De certa forma, porém, é possível encarar O Conde de Monte Cristo como uma grande novela, assim como Edmond Dantès (o personagem central) pode ser visto como um anti-herói dos mais modernos. 

Estou formulando esta comparação bem simples para que você possa planejar a sua leitura como quem "assiste" uma novela na tevê, lendo um capítulo por dia por exemplo. Para quem tem dificuldade com obras grandes, pode ser uma boa ideia. E garanto que você vai querer ler mais, por vários motivos.

A historia de um marinheiro (Dantès), preso por falsa acusação, que consegue fugir e ainda virar um milionário é instigante. No meio disso, ainda temos piratas, um romance imprevisto e todo o questionamento moral sobre o conceito da vingança. "A vingança é um prato que se serve frio", diz o ditado popular e isso nunca foi tão bem representado quanto em O Conde de Monte Cristo. 

Quem busca vingança deseja forçar o outro lado a passar pelo que passou e/ou garantir que não seja capaz de repetir a ação nunca mais. - Wikipédia

A vingança que tem como objetivo a não repetição do ato praticado pode criar a ilusão de que a pessoa está do lado da justiça. Alexandre Dumas era francês e mulato (isso em 1800, lembre-se). Somente após a sua morte é que foi reconhecido como o autor francês mais lido no mundo. Boêmio e mulherengo como alguns de seus personagens, não é difícil imaginar que sua "vingança" foi escrever sobre a nobreza hipócrita, fútil e preconceituosa de sua época. Para alguns escritores, o bico de pena pode servir de espada.

Sem ganhar nada com isso, minha dica vai para primorosa tradução e acabamento do livro lançado pela editora Jorge Zahar que teve a supervisão do especialista na obra de Alexandre Dumas, André Telles (veja entrevista no link). Toda obra-prima deveria ser cuidada desta forma.

Intrigas, romance, aventura e vingança sem comerciais nem plim-plim. O Conde de Monte Cristo aguarda por você. Boa leitura.

Preguiçinha de encarar o livro? Olha uma das versões para o cinema. Nem chega perto...

Fontes:
Alexandre Dumas
O Conde de Monte Cristo
Vingança - o Conceito
Entrevista: André Telles

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