Escrito para o Cinema - A Cela - Jennifer Lopez mergulha na maldade humana por Marcos H.

terça-feira, outubro 18, 2011 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

Sem fornecer nenhum "spoiler", já vou avisando que este filme não é de Terror, mas pode assustar muita gente. A Cela (The Cell, 2000) do diretor estreante, na época, Tarsem Singh, é uma viagem surreal pelo inconsciente humano, pelos "esqueletos no armário" que ficam escondidos lá nos calabouços da mente de tudo mundo. Sim, de você também.

A maioria das pessoas já ouviu falar que temos 3 tipos de comportamento mental: nossa consciência, uma subconsciência e o inconsciente. Em resumo pode-se dividir em o que sabemos com certeza, sabemos um pouco e não sabemos nada. Para os psicólogos, aquilo que é reprimido, vai cair em um destes dois últimos lugares e se manifesta por meio de sonhos, neuroses, complexos, taras e por aí vai.

A função da personagem de Jennifer Lopez (antes de virar Diva Pop) é "entrar" no incosciente de seus pacientes para encontrar o trauma e curá-lo. Usando uma tecnologia que lembra o filme Matrix, Lopez une-se a mente de seus pacientes e vivência tudo como se fosse um sonho bem real, uma espécie de realidade alternativa. A coisa se complica quando ela é chamada pelo FBI para descobrir o cativeiro de uma garota sequestrada por um serial killer (o excelente e mal aproveitado ator, Vincent D'Onofrio, no melhor papel de sua carreira). E ela só tem 40 horas para isso.

Tarsem Singh veio da propaganda e de clips musicais. Sua narrativa é cheia de cor e cortes espertos de câmera. Ao chamar a figurinista Eiko Ishioka (que responde pelos fantásticos figurinos do Circle Du Soleil), Singh nos brinda com imagens extremamente belas, grotescas e surreais, mas sem cair no mau gosto dos filmes "gore", de sangue atuais. Toda a estética e plasticidade do filme funciona como um personagem coadjuvante que ajuda (ou atrapalha) todo o entendimento da trama. Vai depender do quanto você "mergulha" na historia.

Cada cena de A Cela é um quadro que precisa ser analizado pelo ponto de vista da mente do assassino. Lopez faz o papel do espectador, ora com medo, ora com curiosidade e mesmo com ternura. Mas é preciso chegar ao fim da historia para entender o começo. E, no final, mais sobre nós mesmos e nossos próprios traumas e complexos.

A Cela é um filme importante para os dias atuais porque explica, de certa forma, que "julgar o livro pela capa" pode ser um grande erro. Em uma sociedade onde a pessoa é considerada "culpada" por tabela, compreender o que está escondido no inconsciente de cada um pode ser uma revelação que, mesmo difícil de aceitar, entende e perdoa. Para assistir e debater depois. 


Fontes:
A Cela 
O figurino de Eiko Ishioka
O Inconsciente

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Sobre o Autor:
Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve

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