EDGAR ALLAN POE - O ESCRITOR DE TODOS OS SEUS MEDOS.

quinta-feira, junho 28, 2012 Marcos H. de Oliveira 2 Comments


A primeira pessoa a quem devo agradecer por sentir medo é a minha mãe. Era dela o livro de quase 600 páginas, sem capa, com o título "Edgar Allan Poe - Poesia e Prosa" que encontrei "jogado" em casa, quando tinha uns 14 anos. Hoje, devidamente encapado e protegido, esta edição de 1960 permanece como uma referência das mais positivas na minha educação literária e nas minhas tentativas de escritor. Brigadão, mãe!

Ao lado do poeta francês, percursor do simbolismo, Charles Baudelaire (1821-1867), Edgar Allan Poe (1809-1849) representa tudo (ou quase tudo) que você, moderninho do séc. XXI, entende por medo no cinema, na literatura e outras formas de Arte. Alguém dúvida? 

Toda série "Jogos Mortais", escrita para o cinema, tem como base "O poço e o Pêndulo" de Poe. Histórias de detetive? Leia "Os Crimes da Rua Morgue" ou "O Mistério de Maria Roget". Assassinato? Que tal "O coração delator" e "O gato preto"? Terror? Experimente "A máscara da Morte Rubra". Poe é considerado o "pai" da Literatura Americana e sua própria historia parece um conto gótico alemão (veja os links). 

Acredito que artistas, poetas, cantores e qualquer profissão que manifeste a arte como expressão, deixam um legado para Humanidade. E os melhores, tem vida curta. Soa como algo predestinado, como se a própria genialidade fosse a sua ruína. Poe morreu de tuberculose com apenas 40 anos, de forma tão misteriosa quanto seus escritos. Alcoólatra, atormentado, triste e brilhante. Assim foi com James Dean, Jim Morrison, Elis Regina, Renato Russo e até mesmo o brilhante Chico Science. Em "A filosofia da Composição", Poe escreveu:

Há um erro radical, acho, na maneira habitual de construir-se uma ficção. (...) Eu prefiro começar com a consideração de um efeito. Trabalhos com significados óbvios, deixam de ser arte.

Este "efeito" significa uma literatura seca e alinhada, quase uma fórmula matemática de composição. Cada elemento da narrativa é colocado para "vibrar" e deslocar o movimento para sequencia seguinte. Leia este trecho que inicia "O Coração Delator":

É verdade! Nervoso, muito, muito nervoso mesmo eu estive e estou; mas por que você vai dizer que estou louco? A doença exacerbou meus sentidos, não os destruiu, não os embotou. Mais que os outros estava aguçado o sentido da audição. Ouvi todas as coisas no céu e na terra. Ouvi muitas coisas no inferno. Como então posso estar louco? Preste atenção! E observe com que sanidade, com que calma, posso lhe contar toda a história.

Percebeu? Poe envolve, provoca e te "joga" para historia como poucos. É um Mestre do Mistério e um dos primeiros a usar uma linguagem pictográfica (descrever o "cenário", o entorno onde toda historia acontece) para te fazer suar. E ficar nervoso. E muito mais.

O ator John Cusack vai encarnar os últimos dias de vida do escritor no filme The Raven (O Corvo). Aproveite para conhecer mais sobre a obra deste que ainda é, o melhor escritor de suspense e terror de todos os tempos. Até a próxima.










Links:
Edgar Allan Poe
A Filosofi a da Composição (pdf)

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2 comentários:

Claudio Luz disse...

Parabéns pelo Blog Marcos!

Conheci seu trabalho através de um artigo de Mídias Sociais e hoje sou leitor do AGE
O conteúdo do Blog é muito bom, talvez essa seja a diferença conteúdo!
Acompanho sempre e gosto bastante da seção Bico De Pena e espero que você continue postando sempre com essa mesma qualidade.

Boa sorte e sucesso!

Abraço

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