Editorial - Vida de Redator - O Clube da Luta e da Felicidade para o criativo que não cai no primeiro soco por Marcos H.

quarta-feira, junho 22, 2011 Marcos H. de Oliveira 4 Comments

De vez em quando, recebo e-mails e mais e-mails sobre as dificuldades da profissão de publicitário, seja qual for o departamento onde o estudante (recém formado em PP) deseja atuar. Sim, atuar, como um ator-lutador que coloca uma máscara e sobe no ringue para tomar socos de chefes, clientes, fornecedores e algumas vezes da própria família que não entende nada de propaganda, além do que passa entre os intervalos da novela. E essa frustração cresce. E este novo profissional se irrita. E sufoca a raiva. E briga com a namorada/esposa. Vamos falar um pouco disso. Mas, antes, um filminho:


 

Uau! Adoro este filme! E o livro também. Bom, a pergunta aqui é simples: Qual é a sua luta? Tá batalhando pelo que? Pela sua felicidade? Sério? Então por que está tão cansado e com essa cara zangada?

Toda profissão tem seu preço e sua glória. Se você está passando por alguma das faces descritas acima, parabéns! Você está prestes a entrar no Clube da Luta e da Felicidade. Só que existem algumas regras para garantir a sua permanência. Vamos a elas:


Soco na cara – Defina-se: Se você já entrou no ringue, encontre seu território. Seja honesto com o espelho e diga: estou nesta pela grana ou estou nesta pela arte ou estou nesta pelo sucesso ou estou nesta porque não estou nem aí ou estou nesta porque todo mundo está, etc. Mate o grilo falante moralista na sua cabeça e descubra o quanto você pode ser verdadeiramente ético diante de uma campanha para um cliente de armas, cigarros, remédios ou política. Lembre-se: a moral é coletiva e histórica. Ela passa. A ética é só sua. Ela permanece. O mesmo pensamento vale para quem ainda não foi chamado para luta.


Joelhada na virilha – Amadureça: Infelizmente ainda se propaga a ideia do publicitário de filme. Descolado, boca-livre de festas, criativo de última hora, gênio incompreendido, sempre jovem. Tudo mentira. Você é convidado para festas do cliente para trabalhar, pode ser mandado embora a qualquer momento, um bom título demora para acontecer e o tempo sempre é curto. Se não se cuidar, pode desenvolver uma insônia ou um vício. O mercado quer a sua produtividade, seu tempo e sua dedicação. A propaganda é a alma do negócio, sim. A sua. Portanto, mantenha seu corpo (e espirito) saudável.

Sangue nos olhos – Enxergue: Existem modelos para criar e vender quase tudo na propaganda. Existem modelos para campanhas de cerveja, langerie, chocolate, ongs, camisinha, doenças, etc. Algumas vezes você vai precisar usar um destes modelos e vai pensar que não tem talento ou nunca teve. Abra os olhos para não fazer o papel de vítima ou ficar zangado consigo mesmo ou com seus parceiros criativos. Criatividade é parte do negócio. A outra parte…é o próprio negócio.

Na lona – Levante-se:
Se o seu queixo é de vidro, você dançou. Ser criticado na facudade é uma coisa, no trabalho é outro emprego. Aqui vale muito exercício para aceitar outros pontos de vista para sua “ideia genial”. Ela pode ser realmente boa, mas pertence ao cliente, ao seu contratante e, principalmente, ao sucesso comercial (ou seja vendas) da marca ou produto. Não fique acuado no canto do ringue tomando porrada pelo que não é seu. E trabalhe sempre em grupo para não ser expulso do clube.


Bom, e onde fica a felicidade depois de tanta bordoada? Fácil. Na vida, meu caro. O seu ringue profissional está dentro de um ringue muito maior chamado vida. Jogue fora os livros de autoajuda, manuais de “como ser” e programinhas de tv que iludem, glamourizam e esteriotipam a profissão. Sorria comigo e meu amigo da foto ai em cima e comemore a perda ou a derrota em cima do ringue e não fora dele. 


Você não é um cargo nem um produto, mas pode deixar sua marca na existência de pessoas que gostam de você assim mesmo. Você é a grande idéia que ninguém pode comprar. Basta você não querer vender.
 

E não culpe o eterno modelo de atuação das agências (sem hora prá sair, prazos curtos, diretores com mentalidade de Nascido para Matar) pela sua insatisfação. Ele não vai mudar. Mas você pode mudar sempre.

Agora vou assistir 
"Fight Club" pela décima vez. Continuem com a boa luta e até o próximo artigo.

Seu primeiro dia na agência (segundo a sua cabeça)

Você, daqui há 40 anos, lembrando que fugiu do Clube. Caia na real, antes.

Fontes:

Sobre o Autor:
Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve

4 comentários:

Isa Sevilha disse...

Marcos, tinha que ter lido o seu artigo, muiiiiiiiiito mais cedo. Num tempo impossível, pois provavelmente vc ainda nem tinha nascido, com essa carinha imberbe, aí. heheheh!!!Fazer o que, né???eu sou visceralmente passional, criativa, sim,mas apaixonada demais pelas minhas idéias, que, em geral, tenho dificuldade para repartir, e no final, acabo sempre no canto do ringue, estraçalhada. Ainda tenho cura????rs!!!
Grande abraço e parabéns pelo blog. Já ganhaste uma fã de carteirinha, e se o quiseres, uma colaboradora,pois também cometo minhas bloguices, versos e outras "ices".

O espaço está aberto. Confira na seção CONTATO como participar. A criatividade não tem prazo de validade nem tarja preta. Basta usar e não jogar a toalha. Tempo é um estado de espírito. Abs!

Yo disse...

Não sou redatora, mas me identifiquei com o q vc escreveu. A luta faz parte da vida de qualquer profissional. E nela temos que acostumar a levar muita porrada e ainda assim achar graça de tudo. Porque a vida tem que ser realmente maior que a luta.

Bem colocado, Yo!