ACHADOS E PERDIDOS - DIA DOS NAMORADOS E A CAÇA PELO AMOR SENSUAL.

sexta-feira, junho 12, 2015 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Chegou aquela data no ano, onde o amor precisa se manifestar de forma física. Os "achados" conferem o saldo bancário e fazem as contas para decidir entre a caixa de chocolate acompanhada de um buquê de flores ou a pedra preciosa junto com a lingerie sexy. Quem sabe, uma viagem a dois ou mesmo aproveitar para dar aquele "terrível" passo seguinte no relacionamento. Que dureza!

Para os "perdidos", o momento é de fazer piadinhas sobre o próprio estado civil, zombar de uma data "que é só comércio" e turbinar toda  a autoestima (ou falta de) para cair nas festas exclusivas para solteiros e solteiras, onde permanecer sozinho é considerado pecado mortal. Que dureza!


A sociedade não ajuda, jogando pesquisas e mais pesquisas de insatisfação: homens não querem compromisso porque as mulheres só querem "festa", essas interesseiras. As mulheres dizem que está faltando "bom partido", frase clichê, herdada da mãe e da vovó e que não explica como algo "partido" pode, afinal de contas, ser bom. Entre tapas e beijos, o Amor (com "A" maiúsculo) perde seu valor essencial e transcendente para virar aquele amorzinho minúsculo que aguarda na fila do Motel. Que dureza! 

 
Mesmo com mais de cinco séculos de arte, literatura e poesia, ninguém se arrisca a tentar definir o amor. Porém, procurar entender o que sentimos (e por quem sentimos) pode ser uma saída para confusão generalizada do seu coraçãozinho. O que é sempre melhor do que se "achar" em um relacionamento falido ou se "perder" em aventuras vazias de sentido e sentimento, não acham?

A maior autoridade em mitologia que já existiu, Joseph Campbell (1904 - 1987, que já foi resenhado na seção Bico de Pena) foi atrás para descobrir que energia é essa que o filosofo alemão Nietzsche (1844-1900) chamou de "o amor do seu destino", aquilo que você realmente precisa.


Para Campbell (que permaneceu 46 anos casado, até sua morte), a melhor explicação está no hinduísmo, religião do Deus Vishnu (da raiz sânscrita vishva, quer dizer "tudo"), onde o amor só pode se manifestar através do entendimento dos cinco graus do amor. Amor tem grau!? E são cinco!? Pois é...

Resumidamente é assim:

Primeiro Grau - Servo e seu amo - é o mais baixo de todos, aquele do empregado e seu chefe e que está ligado por uma troca de tarefas do tipo "diga-me o que devo fazer, e eu o farei."  É uma relação de mandamento e pouca ou nenhuma "devoção" real. Muitos casais estão neste estágio. Seguem fazendo o que lhe pedem para depois pedir de volta na forma de outro pedido.


Segundo Grau - Relação entre amigos - é considerado como o "despertar" para o amor verdadeiro. Aqui, a experiência é do amor como um ato espontâneo e não mandatório como no primeiro estágio. A confusão está em acreditar que este é o "amor sensual", aquele que envolve sexo, por exemplo. Acredite, não é. Também faz parte deste grau, o amor por parentes e familiares como sobrinhos, tios, tias, etc. 


Terceiro Grau - Pais e Filhos - nem precisa ser explicado. É o amor que representa o milagre da vida. O desejo de ter filhos seria a primeira aproximação com este grau e um símbolo da sua devoção e compromisso por algo (ou alguém) que está além de você e do seu ego. Bom, pelo menos na teoria. 


Quarto Grau - O casamento - na sua essência, é o encontro de identificação com o outro, a "parte" que lhe falta. Vários contos e lendas descrevem o ser humano como um animal "separado" de sua totalidade, como uma laranja partida ao meio. Desencane da ideia de "alma gêmea" que foi um apelo da industria de autoajuda para vender mais livros. O sentido aqui é bem mais profundo e quem "habita" um bom casamento, sabe disso. Pergunte para estes sortudos.


Quinto Grau - O louco de amor - com certeza, não é o que você está pensando. Não tem nada a ver com horas de telefone, serenata na madrugada ou maratonas sexuais. Neste grau, o amor transcende a matéria, ultrapassa o corpo e as sensações físicas. Para quem acredita em "alma gêmea", é por aí, sem toda aquela propaganda enganosa.


Não é apenas o casamento "biológico", aquele onde as pessoas casam pelo desejo sexual ou pela vontade de ter filhos. Relações assim, se desfazem quando os filhos crescem e a idade avança. Trata-se de um casamento alquímico, a soma complementar de energias poderosas. Como descreve Campbell: 

"O Casamento não pode funcionar sem a orientação psicológica dos dois parceiros. Deve haver a desintegração do ego para que os dois combinem. O processo de união envolve fermentação, amalgamação, desintegração e putrefação em suas psiques."

Complicou? Leia o link abaixo para entender esse papo de processo alquímico, senão este artigo vai ficar enorme. Melhor ainda: Procure "Reflexões sobre a Arte de Viver" de Joseph Campbell e dê o livro de presente para "patroa", "amorzinho", "xuxu", "Companheiro" ou seja lá qual for o apelido da sua "cara metade". Se for solteiro, compre pra você. E feliz Dia dos Namorados para os Achados e para os Perdidos!


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