Editorial Vida de Redator - Socorro! Meu Briefing virou Teste Vocacional por Marcos H.

terça-feira, abril 12, 2011 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

Aconteceu assim: empresa pequena, grana curta e pressa para conquistar a conta do cliente. "Vamos pegar aquela pessoa 'criativa' e 'cheia de energia' que é amiga do fulano que a gente encontrou na casa do ciclano na festa do Raposo?" Vamos. Então tá. Contrataram. "Mas...mas...", indago eu, para Atendimento?" "É, prá Atendimento. Tem tudo a ver: Ela é comunicativa, fala bastante, tem curiosidade, é suuuper prestativa". Desculpe, mas não. 

Vamos recorrer ao pai virtual dos burros, a wikipedia:Atendimento é o segmento da agência de publicidade que faz todo o contato com o cliente. O Atendimento elabora o Briefing (que contém todas as informações de um cliente) e, a partir desse, é feito todo o trabalho de criação da Campanha Publicitária. 

Mais do que isso, a função do atendimento é a de ser um gestor. Ele é o grande responsável pela rentabilidade da conta na agência, concentrando todas as informações relativas a faturamento, custos e gastos internos. É através do atendimento que novos negócios são gerados, pois ele é a porta de entrada de todos os projetos e a voz da agência para o cliente.

Para isso, o profissional deve concentrar o maior conteúdo de informações sobre o negócio do cliente e sobre o próprio negócio, além dos hábitos e atitudes dos seus consumidores.

O nome atendimento é amplamente criticado no meio publicitário pois confunde-se facilmente com com "atendente". Nos Estados Unidos a mesma função é denomidada de "Account Handler" ou "Account Manager", que descreve de maneira mais acurada o escopo da profissão é ser um "gerente de conta". Muitas agências já estão aderindo a essa nova terminologia.

O fato de ser uma interface entre cliente e agência não é o objetivo final do atendimento e sim o meio através do qual ele atinge o seu objetivo: gerar negócios para os seus clientes e principalmente gerar negócios para a agência

Hmm...então, o atendimento não é exatamente aquela pessoa "comunicativa e super prestativa" lá de cima, né?

Isso não tem nada a ver com aquela centenária cisma romântica entre a criação e o atendimento, blá, blá, blá. Tem a ver sim com o profissional, com o cara ali do outro lado, extensão da agência e fonte primordial para que o redator faça o seu trabalho. Também, o tamanho da agência pouco importa. Já vi a tia do café dar opinião mais direta e objetiva do que muita gente na mesa de reunião. Releiam o texto da
wikipedia aí em cima.

Gosto de pensar no briefing no mesmo sentido de "breathing"
, respirar, fazer o ar entrar e sair, oxigenar a dificuldade do cliente e respirar a solução (bem zen isso, né?). Sem estrelismos, mas redator não tem tempo de ficar conferindo info por info. Isso faz parte da função de todo bom Atendimento. Ou será que não?

Fica o alerta: agências, continuem oferecendo chances para quem deseja entrar no Mundo Encantado da Propaganda
, mas não façam a besteira de brincar de teste vocacional em atendimento com marinheiros de primeira viagem. Vão ficar a ver navios, opa!

Fontes:
 
Agência de publicidade 
http://pt.wikipedia.org/wiki/Atendimento


Sobre o Autor:
Marcos H. de Oliveira Marcos H. de Oliveira é redator freelance de publicidade e propaganda e consumidor voraz de livros, música, cinema e arte. http://twitter.com/agentescreve

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