6 GRAUS DE UNIÃO - COMO ANDAR JUNTO EM UM MUNDO SEPARADO.

sexta-feira, outubro 12, 2012 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Vou te contar: entre os anos de 1950 e 2000, a população mundial passou de 2,5 bilhões para 6 bilhões de indivíduos. E, de acordo com um relatório da ONU, a população mundial deve chegar a 7 bilhões ainda em 2012. O foco aqui não é falar sobre o papel dos governos sobre o que fazer com tanta gente ou sobre o controle da natalidade, essas coisas. A pergunta é: como se conectar com tanta gente?

Não estou me referindo ao contato via Redes Sociais nem a corrida desenfreada da publicidade e do comércio para conquistar mais e mais consumidores. Nos últimos 10 anos, tivemos um aumento assustador de livros de auto-ajuda (2,1 milhões, segundo a CBL - Câmara Brasileira do Livro) e uma série de novos "gurus" pregando "modernas" atitudes de vida para o sucesso profissional e pessoal. 

O que todos estes livros e autores têm em comum? Simples: cobertos por uma camada "politicamente correta" de ajuda ao próximo, todos eles revelam apenas 'o segredo' para cuidar de si mesmo e o resto que vá comprar seu próprio livro. Trata-se, portanto, de uma relação centrada no Ego, seja ela pela superação ou pelo desenvolvimento. 


E, então, chegamos na Teoria dos 6 Graus de Separação.

Todo mundo já ouviu falar nisso. A Teoria dos 6 Graus de Separação apareceu lá pelos anos 60. Segundo a mesma, apenas seis pessoas separam você de qualquer indivíduo no mundo. Em 2006,  foi questionada por uma especialista e caiu em descrédito. Porém, em 2008, um documentário da BBC sobre o tema ressuscitou a questão. Em 2012, cientistas do Facebook e da Universidade de Milão reportaram que o número de conhecidos que separam duas pessoas quaisquer no planeta não era de seis, mas de 4,74 (veja aqui).

Mas, será que estamos realmente conectados? 

Sim e não. O conceito de "aldeia global", criado pelo sociólogo canadense Marshall McLuhan (1911-1980) diz que o progresso tecnológico está reduzindo todo o planeta à mesma situação que ocorre em uma aldeia. Redes Sociais, internet e telefonia sugerem que podemos, literalmente, nos comunicar com qualquer pessoa. Nossa "aldeia" seria o Mundo e seus quase 7 bilhões de habitantes. Então, por que a Natalie Portman não retorna meus tweets? Nem o Dalai Lama ou mesmo aquela pessoa que acabei de adicionar no Facebook?


A resposta (e a falha) está na própria teoria. Uma aldeia é formada por uma tribo que possui seu próprio sistema de valores. Aproximar-se de alguém é uma experiência de avaliação, julgamento e conquista. Relacionar-se é criar laços e estes laços passam por raça, criação e conivência social. 

Apareceu a palavra-chave: conivência

Usamos muito convivência e coexistir (que está na moda colocar em discursos filantrópicos, até o Bono já usou). Nenhuma delas tem o sentido de ser conivente, ou seja, estabelecer uma relação de cooperação, colaboração e concordância com o outro. Infelizmente, a palavra conivência ganhou status negativo, de aliciamento com atos criminosos ou ilícitos. Não é à toa que a teoria é de "separação" mesmo. Precisamos de algo mais.

O papel da Filosofia não é o de fornecer respostas. Estas, devem vir da geração de ideias decorrentes do questionamento, da avaliação do seu olhar diante do que acontece com e em torno de você. Recentemente, pesquisadores perceberam que grandes tragédias causam um efeito de "união" entre as pessoas. Depois do 11 de setembro, por exemplo, o índice de criminalidade em Nova Iorque foi o menor em 20 anos. O mesmo efeito aconteceu logo após a Segunda Guerra Mundial e é provável que o mesmo "sentimento" já esteja acontecendo após a tragédia no Japão.

Não parece que, coletivamente, nos unimos pela tragédia e nos separamos pela felicidade individual?

Forneci diversos dados para que você mesmo busque as suas respostas. A união total é uma utopia, uma estratégia de marketing para vender livros e religiões. Mas a união pela conivência já existe e acontece em pequenas "tribos" espalhadas por esta aldeia chamada Mundo. Existem ONGs, grupos de estudos e muita gente empenhada em transformar uma ilusão (algo que está fora do campo de visão e da consciência e, por isso, não existe) em realidade. Talvez você seja uma delas, o futuro inventor da "Teoria dos 6 Graus de União",  quem sabe? Pense nisso.

SEIS GRAUS DE SEPARAÇÃO (2008) - Documentário da BBC (legendado)

Fontes: 

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