DRÁCULA - O LIVRO CLÁSSICO DE BRAM STOKER.

segunda-feira, março 28, 2011 Marcos H. de Oliveira 0 Comments


Crianças, avisem aos vampirinhos apaixonados, aqueles com traços de moralidade e sexualidade bem humanas para darem no pé. Drácula chegou e é o bicho. Bicho mesmo, estilo chupacabra. O Príncipe das Trevas da obra original do autor irlandês Bram Stoker não é brincadeira. Estamos falando do romance de 1897, escrito na forma de cartas (epistolar) trocadas entre o personagem principal, Jonathan Harker, e sua noiva Mina. É pelos olhos de Harker que conhecemos a Transilvânia e o monstro que viria a se tornar um ícone, Conde Drácula.

Vlad Tepes, o Empalador: Drácula?
Todo mito nasce de uma lenda regional, exagerada e urbana. Stoker não criou o primeiro vampiro (John Polidori, 1795-1821, já havia publicado um conto chamado "O Vampiro" em 1819) mas deu corpo e conteúdo ao personagem. Sangue, símbolo da vitalidade humana e poder de existência é transformado em fonte da imortalidade. A imortalidade tem um preço: você precisa morrer para ser eterno, precisa sacrificar tudo que existe de 'humano' para ser algo mais, talvez divino até. Não é genial?


Bram Stoker é o cara!

Não espere climas sensuais de sexualidade reprimida como você está acostumado a ler e ver nas séries de Tv e livros adolescentes. Drácula está morto. Seu coração não bate nem por ele mesmo e nada "levanta", se é que você me entende. Ele é como um viciado, um junkie que mal suporta a presença de um humano sem querer pular no pescoço e sugar até a última gota. Ele é amoral, marginal e sem regras sociais além daquelas que sobraram para se aproximar de suas vitimas. Drácula é um sociopata e pronto.

Bela Lugosi, 1931
Mas Drácula não seria chamado de "romance" se não houvesse uma história de amor, estilo comum para época. Toda história de amor contém uma mocinha indefesa, um herói (acompanhado de um bando de amigos fieis) e um vilão. Ah, e um assistente maluco (e o do romance é o melhor, você vai conhecer). Mas sabemos que o verdadeiro inimigo de Drácula é o Sol, fonte de luz e símbolo da vitoria do bem sobre o mal. Olha aí outra grande sacada inovadora de Stoker.

Por outro lado, o conde Drácula poderia ser visto também como uma vítima de seu próprio vício, incapaz de controlar seus instintos. Lembre-se: ele pode se transformar em rato e morcego (símbolos de doença e contágio), lobo (símbolo do homem dominado por suas emoções, assim como o lobisomem) e fumaça (perda do corpo, da matéria). 

Drácula ou um chupacabra junkie?
Experimente se colocar em 1897 sem luz elétrica, celular e 190 para ver se você é realmente corajoso. Experimente ler Drácula antes de dormir com a janela aberta, o silêncio da noite e um cão vadio latindo na escuridão. Coloque-se no papel de Jonathan Harker, o famoso Van Helsing e sua turma. 

Sir Arthur Conan Doyle (criador de Sherlock Holmes) escreveu a Stoker em uma carta:" Eu escrevo para lhe dizer o quanto eu gostei de ler Drácula. Eu acho que é a melhor história de horror, que eu li em muitos anos."

Sinta o medo e divirta-se. Até a próxima.

Christopher Lee


Ps.: Leia sobre Porfiria, a doença que teria dado origem ao mito dos vampiros.

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