R.I.P. SANTA - O DIA EM QUE MATEI PAPAI NOEL

quinta-feira, dezembro 04, 2014 Marcos H. de Oliveira 2 Comments


Vou te contar o que fiz: eu matei Papai Noel. Isso mesmo. E não foi nada fácil. 

Existem muitos clones por aí e seria péssimo confundir um pai de família ou um pobre assalariado fazendo bico de fim de ano no shopping. Afinal, é Natal. Eu precisava ir na fonte, mais precisamente em Atlanta, Geórgia nos Estados Unidos da América. Isso mesmo, a sede da Coca-Cola. Ou você achou que seria no Polo Norte?


Sigo o rastro do Papai Noel desde o começo da ano. Em fevereiro, cheguei a perder a pista em Trancoso (BA) porque ele tinha feito a barba para curtir o Carnaval. Por sorte, seu nariz e bochechas sempre ficam vermelhos quando bebe. Depois ele foi pro Mardi Gras em Nova Orleans para a terça-feira gorda. Com a barba já crescida em outubro, pude fotografá-lo saindo da boate “Happy Ending” em Las Vegas. As fotos estão guardadas em um cofre especial na Disney.

Foi em 1930 que o diretor de arte Haddon Sundblom encontrou esse irlandes gordo e bêbado jogado numa sarjeta da Túrquia. Sujo de barro, suas roupas estavam tão marrons quanto a de um frade. Seu nome era Nicolau (por contrato, ninguém mais o chama assim). Haddon olhou para aquele sujeito, tapou o nariz por causa do cheiro e teve uma grande ideia: recentemente tinha sido contratado por uma companhia de refrigerantes para produzir uma campanha de Natal e, por algum motivo, aquela figura caiu como uma luva. Nicolau tinha narcolepsia e costumava gritar “presente!” quando acordava. Ou seja, gritava presente quase o tempo todo. E não se engane com toda aquela alegria: depois de três goles, Nicolau sorri e gargalha até para poste.

O resto é história: Haddon escondeu Nicolau e contou para todos que tinha se inspirado em sua própria imagem no espelho para criar os desenhos do maior garoto(?) propaganda de todos os tempos. Trocou a roupa marrom pelas cores do produto e voilà: um sucesso. Mas é tudo mentira, eu sei. Jeremy Seal sabe.


A Ferrari vermelho-natal estacionada em local privativo confirmou que ele estava no escritório. Disfarçado de entregador de Panetones, passei desapercebido por todos os outros funcionários e subi as escadas. Chutei a porta com força. Lá estava ele. O maldito velho barbudo de 78 anos, já vestido com sua tradicional roupa branca e vermelha para uma sessão de fotos. Para variar, estava dormindo. Acordou assustado e gritou: Presente! Avancei para cima dele e…

Eu menti. Não consegui matar o Papai Noel. Não se mata um ícone assim. Sem ele, este e tantos outros momentos de inspiração que usamos para criar textos vendedores, emocionais, criativos ou imagens de união, prosperidade e esperança não existiriam.

Faça um teste: quanto tiver um bloqueio criativo, coloque uma imagem do Papai Noel de Haddon Sundblom na sua mesa e olhe para ela. E deixe o Espírito da Criação fazer a parte dele. Garanto: todo dia será Natal.

Feliz Natal e Boas Festas para todos os leitores do AGE!

Links:
Haddon Sundblom
Todas as artes de Sunddblom para o Natal da Coca-Cola

2 comentários:

Magda disse...

Muuuuuuito bom, Marcos! Nossa... Viajei contigo agora... Parabéns, bom texto!

amei também!