Amor Roma – Embriagado de amor de Paul T. Anderson

quarta-feira, outubro 20, 2010 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

A chance de poder escrever sobre este filme de forma pessoal é um prazer e um desafio. O prazer fica por conta de saber que, aos 41 anos de idade, o amor é muito menos do que se pensa e muito mais do que se sente. O desafio fica por conta de convencer você de que vale a pena assistir (pela primeira vez e de novo e de novo) esta obra-prima do mesmo roteirista de Magnólia (1999 com Tom Cruise) e Boogie Nights (1997) e descobrir isso por si mesmo.

Pra começar, Adam Sandler é um cara legal que aprendi a gostar depois deste trabalho (que lhe rendeu um Globo de Ouro de melhor ator em 2002). Foi por causa deste filme que Sandler pode moldar o seu típico personagem abestalhado de outras produções em um ser humano mais rico, com camadas profundas de sentimentos complexos que vão além do pastelão.

Paul T. Anderson é um diretor e roteirista que não se preocupa com o entendimento automático da plateia e por isso mesmo, constrói uma narrativa irregular em todos os seus filmes. Os diálogos, as cenas absurdas, a falta de ação que beira ao tédio são ferramentas de provocação para reflexão do público, para que você pense “e se fosse comigo, o que faria?” Momentos como a vida nos oferece, onde a falta de conforto, pede confronto ou fuga, enfrentamento ou desistência. E não são estes os desafios do amor ou de se apaixonar?

Barry Egan (o personagem de Sandler) possui um emprego sem atrativos, uma vida sem atrativos, uma família (de sete irmãs que o controlam emocionalmente) sem atrativos. Cheio de sentimentos represados, onde o que fala mais alto é uma raiva passiva diante dos acontecimentos, Egan tem a chance de mudar tudo ao se apaixonar pela (também estranha) Lena, vivida por Emily Watson que possui uma beleza peculiar e um talento maravilhoso para compor personagens irregulares.

Existem tantas cenas e situações que beiram ao surreal nesta comédia dramática que deixo para você essa descoberta. Mas gostaria de frisar a frase que mais me impressionou pela verdade ingênua que ela guarda dentro de si. É quando Lena questiona Egan se ele não tem medo dos desafios que a trama vai colocar em seu caminho:

“Como posso ter medo? Eu estou apaixonado. Eu sou invencível.”

Sabemos que isso não é bem verdade mas gostamos de pensar que o amor é o combustível daquela coragem heroica e salvadora, o caminho que leva para Roma e que, no final, o que importa não é como o amor é descrito, mas como ele é vivido e se inscreve de forma marcante na historia de cada um. Abraços.


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