Escolhas - Caminhos profissionais

quarta-feira, setembro 22, 2010 Marcos H. de Oliveira 0 Comments

Você senta, admira as teclas do seu computador, olha para o monitor e vê se surge alguma inspiração. Nada. Olha para um apanhador de sonhos pendurado na janela, presta atenção no barulho de um pássaro, de algumas araras festejando e agora arrisca escrever algo.

Pensando bem, a inspiração não surgiu, ela tá ali desde sempre. Você só precisar parar, pensar um pouco no que vai escrever e pronto. Quando se vê já escreveu algumas linhas de abóboras. 

Sempre me disseram para ser jornalista, mas eu estava mais para o lado das viagens de um publicitário. Até prestei para jornalismo (se tivesse escolhido jornalismo na Federal teria passado), mas optei pela arte das cores, das formas, por um trabalhoso, mas satisfatório planejamento, pela economia, pelo target, pelas tabelas de mídia. Da junção de várias coisas que você não entende o porquê de tudo aquilo, mas sabe que formam o todo.

O todo que é a propaganda. 

O que é propaganda? De acordo com o minidicionário Silveira Bueno, propaganda é a propagação de princípios ou teorias; anúncio de mercadorias ou produtos em veículos publicitários, (...) divulgação.

Pois bem, vou ser publicitária mãe. Minha mãe diz, “Escolhe o que lhe satisfaz minha filha, mas será que isso da dinheiro?”. Mães...sempre pensam no lado financeiro. Se da dinheiro eu não sei, só sei que quero trabalhar com isso. Ok. “Mas você vai fazer onde? Aqui na cidade não tem”. “Ah... vou prestar vestibular nas cidades mais próximas, pra não ficar muito longe da família.”  

Passei. E agora? Cuiabá ou Campo Grande? Campo Grande ou Cuiabá? Ah... se for pensar pelo lado da Universidade acho que Campo Grande ganha. E me ganhou. 

Dezoito anos e levemente perdida em uma capital onde eu conhecia menos de meia dúzia de pessoas. Cidade de ruas largas, pessoal meio “fechado” e que adora um tereré, sol quente e vento faceiro. Bom, já que estamos aqui, vamos fazer o que viemos fazer. Estudar. 

Acordar as 6h todos os dias, enfrentar 30 minutos de ônibus até a Faculdade para aprender sobre sua futura profissão. Levar o estudo a sério, certo?! 500 km longe da família não é fácil e o dinheiro gasto com tudo isso não é pouco. Ta certo, vamos nos empenhar. 

Você vê as bases da filosofia, como montar um roteiro, as ferramentas do corel e photophop, as etapas de um planejamento, os 4 P´s do Marketing, um pouco de economia e uma infinidade de informações diárias que compõe a comunicação e o seu mundo. 

Passa horas na internet, lê partes do livro do Kotler, entende de direitos do consumidor, diferencia propaganda enganosa de abusiva, sabe o que é e qual a função da Aba, Abap e Conar e por fim vê quão imenso é o universo da Comunicação. Monta uma campanha, apanha da semiótica, aprende a admirar uma Archive, a ler um jornal e absorver todo seu conteúdo, ouve Mena Barreto, Washington Olivetto, Walter Longo.

Um estudante que se preza sabe das mídias sociais, de um blog recheado de informações, do último VT da skol, aprende a gostar de horário político e a ler jornais e revistas e ver tv aberta. Você percebe que tudo a sua volta é importante e você precisa prestar atenção e saber de tudo um pouco.

Quando você se dá conta já se passaram os 4 anos da faculdade nos quais eu não aprendi nem 1/3 do que eu deveria sobre Publicidade e Propaganda.
 
Estagiei com marketing, mas queria trabalhar com redação. E agora Senhor?! Qual boa alma me dará um emprego?! E percebe que existem inúmeros perdidos no mercado iguais a você. Que estagiaram com atendimento, mas almejam planejamento e não entendem nada de direção de arte. 

Você almeja ser um Marcello Serpa, trabalhar na Y& R, escrever como o Washigton Olivetto, fazer campanhas para Fiat, escrever um jingle bacana como do Guaraná Antarctica e sonha em ser um profissional do ano, ganhar um leão em Cannes e ter o nome reconhecido.

É uma variedade de coisas que até você se perde no meio delas. Mas é praticamente impossível trabalhar com publicidade e não ser apaixonado por ela. Os que não entendem esse amor desistiram na faculdade. Os que reconheceram e assumiram estão no mercado e são colegas de profissão. Você simplesmente se encanta diariamente com esse mundo e não se cansa de ler, procurar, conversar sobre.

Aqui em Campo Grande confesso que a profissão não é muito bem valorizada. Pouca verba do cliente e salário baixo, mas a paixão fala mais alto e você não desiste facilmente. 

E nessa caminhada que apenas começou, espero encontrar outros loucos e apaixonados pela profissão tal como eu. Apaixonados pela arte, por um bom planejamento, por uma peça trabalhosa, pelas horas pensando em uma campanha. 

Ser publicitário é ser assim, meio sabe tudo, meio bobo, meio apaixonado.

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